Deus é Amor

Deus é Amor
Cabana da Esperança

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Ascensão e Queda de um Médium


Dizem que os fatos na história estão sempre se repetindo. Também na Umbanda observamos fatos, como a história do “Pai X”, que segundo contam, em sua juventude era dotado de privilegiada inspiração cósmica. Apesar de pouca instrução, possuía grande imaginação; falava como filósofo, podendo até prever acontecimentos futuros. Tinha grande respeito às religiões e bastante inclinação para estudos místicos e religiosos.
Filiou-se, posteriormente, a algumas escolas e freqüentou várias religiões. Cursou algumas escolas de origem oriental, onde adquiriu algumas noções de misticismo. Ingressou no espiritismo e, por algum tempo, estudou com entusiasmo as instruções kardecistas. Mais tarde, ingressou na Umbanda, onde dizia ter se encontrado, pela ritualística, pela magia e encantamento. Revelou-se bom médium, realizando inclusive, curas com sucesso.
Mais tarde, com a graduação de Babalorixá, ou Sacerdote de Umbanda, abriu um Templo e teve seus próprios discípulos. Ensinou de início algo que admitia, não era dele. Tornou-se conhecido e, passou a gostar da notoriedade e popularidade. Posteriormente passou a declarar que os ensinamentos eram seus, assim como todas as coisas que estava fazendo e dizendo. Pensava com exclusivismo, considerava-se autônomo e único orientador espiritual capacitado, esquecendo-se das Leis, que exprimem o pensamento de Deus, dos Orixás. Violou a Lei do Amor Fraterno, invertendo a direção da verdadeira Lei da Espiritualidade na ilusão de crescer e subir. Muitos manuscritos de natureza altamente espiritual afirmam que não há pecado maior na matéria, do que a vaidade, filha dileta do egoísmo.
Com esta atitude, “Pai X” foi decaindo. Também na saúde, um exemplo típico de alguém que foi rejeitado pelo cósmico, em virtude da violação da Leis do Universo. Na ilusão de crescer e subir, ficou aprisionado em seu próprio desespero. Tornou-se uma vítima das suas obsessões e desencarnou após muitos anos de terrível sofrimento íntimo. A vaidade, a tentação de procurar poder e a ânsia pela popularidade em ver-se chamado de mestre supremo, o levou à queda espiritual, material e física.  ‘POIS QUEM SE FAZ DEUS, POR DEUS É PUNIDO’.
Será que o que aconteceu com o Pai “X” vem acontecendo em nossos dias? É necessário que se encare a doutrina como algo muito sério, principalmente o médium deve se conscientizar de que é apenas um instrumento para servir as Leis do Universo e Espirituais.  “NÓS VIVEMOS PARA SERVIR, NÃO PARA SERMOS SERVIDOS.”

√ POR PAI RONALDO LINARES

A Tristeza dos Orixás




Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas… Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido – se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.
Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.
Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:
- Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.
- Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.
- Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.
- É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãeinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a ” espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles…Estou cansado…
Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda. Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.
Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.
Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.
Isso magoava Ogum. Como magoava:
- Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição…
Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…
Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens.
Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…
Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.
Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.
Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.
Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.
Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!
E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Enúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a figura do Diabo:
- Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.
Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:
Espere!_ pensou Iemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.
E logo Iemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar – se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:
- Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…
Quando Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.
Em Aruanda, os caboclos, pretos – velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.
Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…
Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.
Miríades de espíritos foram retirados do baixo – astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.
Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou – se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.
Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem – se disso.
E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem – se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.
Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.
Lembrem – se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado.  Honrem – los. Sejam luz, assim como Eles!
Exe ê o babá (Salve o Pai Oxalá)

√ POR FERNANDO SEPE

Sessão de Caboclos



terça-feira, 29 de abril de 2014

Umbanda tem fundamento, Umbanda tem história…É preciso conhecer, é preciso estudar…

 

 

Todo Cristão conhece a história de Cristo e do Cristianismo, todo Judeu conhece a história de Moisés e do Judaísmo, todo Muçulmano conhece a história de Mohamed (Maomé) e do Islamismo, os três grupos têm em comum o patriarca Abraão também conhecido por todos; todo Budista conhece a história de Sidharta Gautama (Buda) e do Budismo, todo Hare Khrishna conhece a história de Krishna, e nós Umbandistas?
Conforme disse o Caboclo das Sete Encruzilhadas:
“Umbanda é a manifestação do espírito para caridade”
Muitos de nós entendem que basta a prática da caridade sem esclarecimento ou informação do que é a Umbanda enquanto religião. O esclarecimento religioso inclui no mínimo sua liturgia e base histórica. Estas informações são necessárias para dar ao praticante mais tranqüilidade e segurança da religião que assumiu, podendo falar mais sobre ela, desmistificando conceitos e assumindo o Orgulho de ser Umbandista. A Umbanda não é instituída, possui muitos órgãos representativos incluindo federações e associações, logo não há um histórico oficial e este nosso despretensioso ensaio servirá para esclarecer.
Longe de nós a pretensão de oficializar a história da Umbanda, queremos apenas compartilhar algumas informações que consideramos muito importantes ao estudioso de Umbanda, que tem a sede do saber. História é tudo aquilo que está registrado (escrito, fotografado ou filmado), assim iremos recorrer ao que os primeiros Umbandistas deixaram registrado em publicações, ou seja, os primeiros livros e relatos da Religião de Umbanda. Livros que são parte de sua história onde na maioria das vezes os autores foram umbandistas atuantes. Zélio de Moraes não escreveu nada sobre si ou sobre a religião que teve seu inicio em 15 de Novembro de 1908. Em 1904, o livro “As Religiões do Rio”, escrito por João do Rio, apresenta um estudo aprofundado dos cultos no Rio de Janeiro e em momento algum aparece a palavra  Umbanda, o que endossa que nem a religião de Umbanda, nem a palavra, eram presentes no Rio de Janeiro, onde nasceu a Umbanda.
Os primeiros textos sobre a Umbanda aparecem em um livro chamado “No Mundo dos Espíritos”, em 1925, uma coletânea de reportagens feitas pelo Jornalista Leal de Souza para o vespertino da época chamado “A Noite”, onde aparece, entre outras, uma reportagem do Centro Tenda Nossa Senhora da Piedade com o Médium Zélio de Moraes. Leal de Souza era médium na Tenda Nossa Senhora da Piedade e por orientação de Zélio de Moraes e do Caboclo das Sete Encruzilhadas, se tornaria o dirigente da Tenda Nossa Senhora da Conceição.
O primeiro livro de Umbanda foi publicado em 1933 por Leal de Souza e recebeu o nome de “O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda”, neste livro há um capitulo (Cap. 23) intitulado “O Caboclo das Sete Encruzilhadas”, onde o autor que conviveu muitos anos com o fundador da Umbanda fala um pouco sobre a entidade, veja abaixo:
“Se alguma vez tenho estado em contato consciente com algum espírito de luz, esse espírito é, sem duvida, aquele que se apresenta sob o aspecto agreste, e o nome bárbaro de Caboclo das Sete Encruzilhadas”
Sentindo-o ao nosso lado, pelo bem estar espiritual que nos envolve e sensibiliza, pressentimos a grandeza infinita de Deus, e, guiados pela sua proteção, recebemos e suportamos os sofrimentos com uma serenidade quase ingênua, comparada ao enlevo das crianças, nas estampas sacras, contemplando a beira do abismo, sob as asas de um anjo, as estrelas do Céu.
O Caboclo das Sete Encruzilhadas pertence à falange de Ogum, e, sob a irradiação da Virgem Maria, desempenha uma missão ordenada por Jesus. O seu ponto emblemático representa uma flecha atravessando um coração, de baixo para cima; -  A flecha significa a direção, o coração é o sentimento e o conjunto – orientação dos sentimentos para o alto, para Deus…
Entre a humildade e a doçura extremas, a sua piedade se derrama sobre quantos o procuram, e não poucas vezes, escorrendo pela face do médium, as suas lágrimas expressam a sua tristeza, diante dessas provas inevitáveis a que as criaturas não podem fugir…
A linguagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas varia, de acordo com a mentalidade de seus auditórios. Ora chã, ora simples, sem um atavio, ora fulgurante nos arrojos da alta eloqüência, nunca desce tanto, que se abastarde, nem se eleva demais, que se torne inacessível.”
Em Novembro 1971, por ocasião do 63 aniversário da Tenda Nossa Senhora da Piedade a Senhora Lilia Ribeiro, Diretora do “Boletim Macaia” e da “Tenda de Umbanda Luz, Esperança e Fraternidade” – TULEF – gravou a mensagem abaixo dada de viva voz pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. O texto foi colhido no livro “Umbanda Cristã e Brasileira” de Jota Alves de Oliveira / Ed. Ediouro. A mensagem reflete os conceitos estabelecidos, desde o princípio, 1908, pela Entidade Caboclo das Sete Encruzilhadas e por Zélio de Moraes, veja abaixo:
“A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade, e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que vão se vender e que serão, mais tarde expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo”.
O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao Pai de Terreiro, como ao coração do homem que fala à Mãe de Terreiro. É preciso ter muito cuidado e haver moral, para que a Umbanda progrida.
Umbanda é humildade, amor e caridade – essa é a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Este que vos fala, porém, é da falange de Oxossi, meu Pai, e não veio por acaso; trouxe uma ordem, uma missão.
Meus irmãos: Sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, que as vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda.
Meus irmãos: Este aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa.
Tenho uma coisa a vos pedir: Se Jesus veio ao planeta terra na humilde manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a Casa de um portentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser a sua mãe, esse espírito que viria a traçar a humanidade os passos para obter Paz, Saúde e Felicidade.
Que o nascimento de Jesus, a humildade em que ele baixou a Terra, a estrela que iluminou aquele estábulo, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento, por práticas e ações; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a Paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares.
Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a Paz entrará em vosso lar. È dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste Templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados e a saúde para sempre em vossa matéria.
Com um voto de Paz, Saúde e Felicidade, com Humildade, Amor e Caridade, sou e serei sempre humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas”.
Umbanda têm Fundamento, Umbanda têm História… É preciso conhecer, É preciso estudar…
√ POR ALEXANDRE CUMINO

Conduta Esperada


Se somos pessoas religiosas, ou seja, se temos uma religião, espera-se de nós atitudes compatíveis com esta condição. Em função disto já que sou umbandista, falo de minha religião e sobre o que é esperado de seus praticantes. Muitos falam apenas na conduta esperada no médium antes e durante as sessões ou giras, mas quase nada se fala do depois da gira e normalmente o que é falado é sobre o imediatamente após a gira ou no máximo 24 horas após o término da sessão.
Não podemos e nem devemos ser umbandistas durante as 48 horas que giram em torno de uma sessão, mas sim 24 horas por dia e 7 dias por semana. Mas isso é no sentido da conduta no nosso dia-a-dia. O quanto nos preocupa a caridade, o amor, a fraternidade e o respeito pelo próximo, o quanto disto tudo faz parte de nossos corações e mentes, verdadeiramente.
Não adianta de absolutamente nada banhos, defumadores, preceitos preparatórios para as sessões, se quando a mesma termina, trocamos nossa roupa e esquecemos todas as palavras e orientações recebidas durante a sessão, saímos do centro achando que nossa missão e papel terminaram ali e conseqüentemente não aplicamos o nosso aprendizado.
A Umbanda é extremamente prática e nós temos obrigação de executarmos essa praticidade. Como? Tendo uma conduta compatível com a nossa religiosidade dentro e fora do terreiro.
As defesas de um terreiro não serão abaladas pela conduta inconseqüente de alguns médiuns, mas as defesas do médium sim. Daí advém problemas que alguns médiuns passam e ainda tem a coragem de afirmar que “tomou o banho” direitinho, que firmou o Anjo da Guarda direitinho, etc, etc… Ou ainda, o que considero pior: dizem que não merecem isso ou aquilo e que a “Banda” deles tem a obrigação de resolver!!
Desculpas! Meras e tolas desculpas, que servem apenas para ajudar a mascarar a verdade. E qual é a verdade que estou me referindo? A verdade que alguns médiuns e dirigentes acreditam que preceitos e oferendas substituem conduta moral correta, honestidade de propósitos, caridade e humildade!
Não! Em absoluto não! Não há banho, trabalho, preparo, despacho, oferenda, amaci, que substitua um coração nobre, caridoso, honesto e sincero! Para que os preceitos de Umbanda surtam efeito é fundamental a coerência entre o que está sendo feito e quem está fazendo ou recebendo.
Urge que nos tornemos aparelhos melhores. Preocupe-se menos com oferendas e mais com conduta moral. Aprenda primeiro a “oferendar-se”, pois como disse o Caboclo Pery na mensagem Oferendas Para Orixás somos a melhor oferenda que podemos dar aos nossos guias e mentores, mas eu digo, que precisamos ser dignos de sermos oferendados.
Lembre-se: somos os únicos responsáveis pelas companhias invisíveis que atraímos e mantemos. Cabe a cada um de nós respeitar a Umbanda através de atos nobres, corretos e coerentes com Ela dentro e fora do terreiro, pois não agindo assim, tornamo-nos os piores detratores de nossa própria religião, e para cada um de nós existe uma conduta esperada coerente com o fato de sermos umbandistas, e a intolerância e a vaidade não fazem parte dela.
√ POR IASSAN AYPORÊ PERY

Por negro Pai João de Aruanda



Quando você toma a decisão de fazer alguma coisa e a faz, você movimenta energias, e movimentar implica deixar de lado a ociosidade espiritual, emocional ou energética. Equivale a fazer uma faxina em seu interior e limpar tudo de dentro para fora.
Acaraje-de-Iansa
Esse é o resultado de uma atitude deliberada, de uma ação construtiva. Fazer alguma coisa, e não apenas pedir ajuda ou deixar que outros façam por você.

Caboclos, Africanos e Kardecistas

 

Leal de Souza, um dos pioneiros da Umbanda publicou em 1942 o livro “Umbanda e Magia Branca – Quimbanda Magia Negra”, cujo trecho nós reproduzimos com intenção de dar seqüência ao tema que vem sendo abordado em algumas edições, sobre “kardecismo e Umbanda”. (Publicado por Jornal de Umbanda Sagrada em Abril de 2009). Veremos assim que em 1942 Leal de Souza já questionava os mesmos temas que nós hoje em dia.
Vamos ao texto: “Trecho de um artigo que publiquei na “A Vanguarda” do dia 11 de março de 1941, em resposta a um outro artigo onde um conforme Kardecista dava a entender que o espírito caboclo ou de africano não podia ser guia nem protetor de médiuns ou de Centros”. Deus, a Natureza, o Absoluto, enfim como queiram entender, é, como todos sabem, sumamente justo, bom misericordioso, onipotente, onisciente, etc, etc. Dito isto pergunto agora aos senhores Kardecistas – qual a condição para um espírito ser guia ou protetor? Todos responderão naturalmente: Ter luz! Pergunto: Qual é a condição para um espírito ter luz? Todos responderão: Ter virtude, isto é, ser simples, bom, carinhoso, humilde, piedoso, etc, e não ter ódio, inveja, orgulho, ciúme,maldade, vaidade, avareza, etc. Pergunto ainda: Ter virtudes é privilégio da raça branca? Se é privilégio, então chegamos ao absurdo de admitirmos Deus como sendo injusto por ter criado uma raça privilegiada.
Se, porém, não é privilégio das criaturas da raça branca, pois que Deus é sumamente justo, poderão, portanto, as criaturas das outras raças possuir virtudes também e assim, depois de desencarnada, ter luz e ser guia ou protetores de pessoas ou Centros. É preciso não confundir luz intelectual com luz provinda da evolução espiritual, bem diferente uma da outra! Digo mais, um espírito reencarna-se numa tribo de caboclos ou de selvagens africanos, como missionário, isto é, para levar àqueles no meio dos quais reencarnou, uma certa soma de conhecimentos. Quando ele desencarnar é um espírito de luz, porquanto luz bastante já possuía, tanto que reencarnou como missionário e ninguém poderá dizer que ele não foi africano ou caboclo em sua ultima reencarnação. Sabem muito bem todos os Kardecistas que os espíritos tomam a forma que querem e assim sendo, nada impede que os espíritos de luz, por afinidade, se agrupem em falanges para praticar o bem e tomem a forma de caboclos, africanos, etc, ou para praticar o mal, se forem inferiores, e tomem a forma de bichos e outra qualquer.
Como sabeis a Terra é um planeta de trevas, expiações e sofrimentos e nós que aqui habitamos estamos sujeitos a sofrer as conseqüências do meio, mesmo porque somos imperfeitos, assim sendo, o mal predomina neste planeta e dessa forma no meio ambiente terreno, existem camadas fluídicas pesadas, formadas umas pelos nossos pensamentos e outras pelos fluídos dos espíritos sofredores e trevosos.
Justamente para combater o mal e dissipar as camadas densas de fluidos pesados, e mais ainda, para encaminhar os irmãos desencarnados que se acharem mergulhados em trevas ou sofrimento, é que uma grande quantidade de espíritos já evoluídos agruparam-se em falanges, por afinidades, e tomaram as formas humildes de caboclos, africanos e outros mais, notando-se que possuem luzes de variadas cores, tais como sejam: roxa, rosa, alaranjada, verde, dourada, prateada, amarelas e outras intermediárias, sendo que os chamados espíritos quimbandeiros possuem luz vermelha.
√ POR LOURENÇO BRAGA

O que comemorar no dia 13 de Maio ?



“Por mais que se diga ou se faça para comemorar e/ou homenagear os Pretos-Velhos que foram escravizados para atender interesses daqueles que sempre se julgaram acima de tudo e de todos, desde os primeiros tempos até os dias de hoje, datas como estas nos convidam a reflexões realistas e conscientes sobre essas mesmas comemorações.
Nenhum ato ou palavra será suficiente para apagar todo o mal que foi feito a esse povo e às consequências que isso desencadeou.  Mais de 100 anos não foram suficientes para que os países escravocratas pudessem acertar as contas com seu negro passado.
Muitas negras criaram os filhos das brancas, enquanto não sabiam o destino de seus filhos.  Fizeram isso com muita dedicação e amor, como pode se comprovar em pesquisas, relatos, filmes e até mesmo nas novelas, oferecendo seu peito cheio de leite a esses bebês e apegando-se a eles.
Das savanas africanas, moço, forte, livre, num instante transformado em escravo acorrentado, nenhuma oportunidade eu tive.  Uma revolta crescente me envolvia intensamente, por que algo me dizia, que nunca mais eu veria minha Aruanda de então, não ouviria a passarada, o bramir dos elefantes, o rugido do leão.  Minha raça de gigantes que tanto orgulho tivera, jazia despedaçada, nua, fria, acorrentada num infecto porão.
Um ódio intenso o meu peito atormentava, por que OIÁ não mandava uma grande tempestade?  Que XANGÔ com seus raios partisse aquela nave amaldiçoada, que matasse aquela gente, que tão cruel se mostrara, que até minha pobre mãezinha, tão frágil, já tão velhinha, por maldade acorrentara.  E IEMANJÁ, onde estava que nossa desgraça não via, que nossa dor não sentia?  O seu peito não sangrava?  Seus ouvidos não ouviam a súplica que eu lhe fazia?  Se IEMANJÁ ordenasse, o mar se abriria; as ondas nos envolveriam; ao meu povo ela daria a desejada esperança, e aos que nos escravizavam, a necessária vingança.
Porém nada aconteceu, minha mãezinha não resistiu e morreu.  Seu corpo ao mar foi lançado.  O meu povo amedrontado, no mercado foi vendido, uns pra cá, outros pra lá e, como gado, com ferro em brasa marcado.
Onde é que estava OGUM?  Que aquela gente não vencia?  Onde estavam as suas armas, as suas lanças de guerra? Porém, nada acontecia, e a toda parte que olhava, somente uma coisa via… terra.  Terra que sempre exigia mais de nossos corpos suados, de nossos corpos cansados.
Era a senzala, era o tronco, o gato de sete rabos que nos arrancava o couro, era a lida, era a colheita (que para nós era estafa, para o senhor era o ouro).
Quantas vezes, depois que o sol se escondia, lá no fundo da senzala, com os mais velhos aprendia, que o nosso destino no fim não seria sempre assim.  Quantas vezes me disseram que ZAMBI olhava por mim.
Bem me lembro uma manhã, que o rancor era grande, vi sair da casa grande, a filha do meu patrão.  Ingênua, desprotegida, meu pensamento voou: eis a hora da vingança, vou matar essa criança, vou vingar minha gente e, se por isso morrer, sei que vou morrer contente.
E a pequena caminhava alegre, despreocupada.  Vinha em minha direção.  Como a fera aguarda a caça, eu esperava ansioso, minha hora era chegada.  Eu trazia as mãos suadas, nesse momento odioso, meu coração disparava.  Vi o tronco; vi o chicote; vi meu povo sofrendo, apodrecendo, morrendo e, nada mais vi então.
Correndo como um possesso, agarrei-a por um braço e levantei-a do chão.
Porém, para minha surpresa, mal eu ergui a menina, uma serpente ferina, como se fora o próprio vento, fere o espaço, errando por minha causa; o seu bote foi tão fatal; tudo ocorreu tão de repente; tudo foi de forma tal, que ali parado eu ficara, olhando para a serpente que sumia no matagal.
Depois, com a criança em meus braços, olhei meus punhos de aço que a deveriam matar…  Olhei seus lindos olhinhos que insistiam em me fitar.  Fez-me um gesto de carinho, eu estava emocionado, não sabia o que falar, não sabia o que pensar.
Meus pensamentos estavam numa grande confusão, vi a corrente, o tronco, as minhas mãos que vingavam, vi o chicote, a serpente errando o bote…  Senti um aperto no coração.  As minhas mãos calejadas pelo machado, pela enxada.  Minhas mãos não matariam, não haveria vingança, pois meu Deus não permitira que morresse essa criança.
Assim, o tempo passou, de rapaz forte de antes, bem pouca coisa restou, até que um dia chegou e Benedito acabou… Mas, do outro lado da morte eu encontrei nova vida, mais longa, muito mais forte, mais de amor e de perdão.  Os sofrimentos de outrora já não importam agora, porque nada foi em vão…
Fomos mártires nessa vida, desta Umbanda tão querida, religião do coração, da paz, do amor, do perdão”
√ POR PAI RONALDO LINARES

Salve os Pretos Velhos

Calmo, de fala mansa , cachimbo a boca , no seu banquinho ouve os lamentos. De arruda na mão benze seus filhos , que aflitos ganham a benção do Pai Preto. Quantas vezes fui no terreiro com o coração apertado ouvir suas palavras de amor ?
 Falar com o Pai Preto é sentir o amor, amor com sabedoria, amor com verdade,Sentir o amor sem motivos, apenas amor…
Quantas vezes minha visão foi ofuscada pela fumaça de seu cachimbo e quantas vezes igual enxerguei meu caminho ?
Nunca espere de um Pai Preto a solução dos problemas, nunca terás menos que amor, menos que o conforto necessário para seguir.
Falar com os “velhos” da Umbanda é um privilegio, é aprender com poucas palavras, é sentir o amor verdadeiro de um pai.
Salve os Pretos-Velhos, salve a arruda e a guiné , salve meu Pai Preto.
√ POR FABIANO ZAPPALA

Muita Intolerância x Pouco Conhecimento

Aqueles que julgam nossa religião, muitas vezes dizendo coisas absurdas a respeito, assim como pela falta de conhecimento sobre a Umbanda, estão agindo com intolerância e ignorância – ignorância no sentido da “falta de conhecimento”. 
Se nossa resposta a isso for agir da mesma forma, passamos a ser intolerantes também. Além disso não ser nada legal nem positivo, acaba virando uma bola de neve de conflitos e ofensas sem fim, sem destino algum a não ser a discussão.
Então, aos que falam da Umbanda com uma certa maldade, agressividade ou tom de ofensa; aos que julgam a Umbanda e o seu universo; aos que falam com total certeza daquilo que “se ouviu mas não se viu”, fica a nossa pergunta: o que você sabe sobre a religião?
Até mesmo para criticar algo é preciso ter conhecimento ou uma mínima noção. Muito importante dizer que nós, da Umbanda No Peito, NÃO SOMOS e nem temos a VERDADE ABSOLUTA, mas acreditamos que se cada umbandista levar a Umbanda adiante, não somente nos dias de trabalho, mas em situações como essa por exemplo, para cada CRÍTICA haverá uma INFORMAÇÃO…Para cada JULGAMENTO haverá um CONHECIMENTO…
Não se acaba com a intolerância sendo intolerante. A religião de Umbanda não “sai” em busca de umbandistas e falar sobre a Umbanda (sem fanatismos, não é isso) não é um ato de conversão a ninguém, mas responder a uma agressão com uma informação, sem dúvidas, trará um melhor final para a conversa.
Não devemos nos esquecer que o respeito é para quem também respeita. Então se alguém não sabe do que se trata, não conhece mas julga e ainda agride por não querer saber lembre-se de que o(a) intolerante não é você !! Vire a página e siga em frente…
 √ POR DANA / UMBANDA NO PEITO

Somos iguais perante Deus

Somos iguais perante a seara, porque somos todos iguais perante o Senhor da Seara. Deus não faz acepção de pessoas, nem de posições e muito menos de instituições. O item 5 do capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo estabelece esta condição essencial: “Felizes os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse e movidos apenas pela caridade”. Emmanuel conclui a sua mensagem lembrando “que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus”.
Querer que não haja discordâncias entre os que trabalham na divulgação e na sustentação da Doutrina seria acalentar quimeras. Cada consciência humana, como ensina Hubert, é um ponto na correnteza da duração. Cada um de nós está colocado num ângulo determinado do eterno fluir da realidade. Cada qual, portanto, tem a sua maneira própria de ver as coisas.
O Espiritismo nos ensina que nos completamos uns aos outros pelas nossas diferenças. Mas se diferimos nos acessórios, concordamos sempre no essencial. Por isso mesmo a caridade – que é o amor em ação – deve eliminar as arestas do nosso personalismo, ensinando-nos que todos somos importantes na busca e na conquista da verdade.
Claro que não devemos concordar com tudo e tudo aprovar em silêncio, pois a tolerância de acomodação equivale a cumplicidade com o erro. A crítica maldosa e orgulhosa, que condena tudo o que é feito pelos outros, é a negação da caridade. Mas ai de nós se suprimirmos a crítica do meio espírita! Porque é ela, quando sensata e sincera, a prática da vigilância que Jesus ensinou e Paulo exemplificou. Como utilizar o “crivo da razão”, de que nos fala Kardec, se abdicarmos do direito de pensar, que mais do que um direito é um supremo dever do espírito?
Quando Emmanuel diz: “Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica” está se referindo à crítica negativa que nasce do orgulho e não à crítica positiva que brota espontânea e necessária do julgamento imparcial e fraterno, objetivando corrigir e portanto ajudar. O lema “valorizar o esforço alheio” não implica a valorização dos erros e dos enganos do próximo, mas o reconhecimento dos esforços feitos por todos a favor da causa comum. Todos precisamos de misericórdia, mas a misericórdia, como Deus nos mostra em sua lei de ação e reação, não é a aprovação de erros e ilusões – e sim a correção e o esclarecimento.

(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier )

Boa tarde!


O silêncio e uma grande prece


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Os caminhos que nos conduzem ao mestre

Fonte: Boletim Eletrônico Doutrinário do T. E. do Cruzeiro da Luz
Ano 2011 – 151


Vamos à opinião abalizada de um estudioso dos problemas da alma, da vida material e espiritual, o Dr Aníbal Vaz de Melo, na magnífica página intitulada “O Caminho”, do  livro “O Evangelho à Luz da Astrologia”, a fim de aplicarmos esse precioso esclarecimento, em nossas vidas, mormente como umbandistas:

Na verdade o caminho que nos conduz ao Mestre é difícil de ser trilhado. Difícil e doloroso. Muitos acreditam que seja preciso uma viagem ao Tibet misterioso para o aprendizado necessário. Puro engano! O caminho não está em determinadas regiões da Terra, fora do alcance comum e das possibilidades humanas. O peregrino encontrará o seu sendeiro na mesma cidade e lugar onde o destino o colocou.

As provas de experimentações impostas aos candidatos ao noviciado espiritual não se encontram também nos cerimoniais complicados e fossilizados de várias lojas e seitas religiosas, mas apenas na percepção dos pequenos lances da vida quotidiana nas renúncias diárias de coisas que aparentemente parecem úteis e imprescindíveis, mas que na realidade pouco significa. O que importa ao caminhante é saber aproveitar as experiências e as esplêndidas lições do agora, porque é neste efêmero que está à plenitude da Eternidade, e neste agora que está a Vida, que também é eterno presente.

O caminho que nos conduz ao encontro do Cristo interno é uma via interior; profundamente interior. É uma espiral em ascensão para o infinito. É um caminho doloroso e difícil, já o dissemos. Está também cheio de renúncias... Mas o Peregrino tem, contudo, as suas compensações: enquanto os pés sangram na escalada dolorosa da montanha, feridos pelas pedras e pelas urzes das estradas, os olhos do caminheiro vão contemplando novas e mais belas paisagens, novas e mais belas perspectivas de horizontes infinitos, novas e mais deslumbrantes iluminuras de poentes e de alvoradas...

É assim que caminhamos para mais perto do azul e das estrelas, para mais perto de Deus. A vista do Espírito através dos olhos da carne vai contemplando novas claridades, e só muito alto, no píncaro da montanha é que eles defrontam a vastidão imensurável, a vastidão maravilhosa das coisas infinitas... E o caminhante ao defrontar este panorama soberbo, amplo, permeado de luz, indefinido, sente-se extático e fica com a alma de joelhos na volúpia da contemplação... É a visão maravilhosa... A visão Suprema, a visão sem formas, o Pensamento incriado... É a luz transcendente... É Deus!

“Eu sou o Caminho da Verdade e da Vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”!
É Jesus que nos orienta. É preciso incorporar à nossa vida o Evangelho do Mestre.

O Evangelho é essa chave perdida que alguns “magos” andam procurando pelo Tibet, pela Índia, pelo Egito, pela China, por Lemúria, pela Atlântida. E, afinal, não conseguem encontrar o caminho dos “passos perdidos”. É que a tal chave está conosco mesmo, em cada um de nós. Está com todos aqueles que queiram seguir a Jesus e fazer a vontade do Pai. Não há fórmulas cabalísticas ou de magia que façam você ser feliz ou afortunado, se você não se colocar dentro da faixa vibratória do merecimento e fizer por onde. Você é que tem as chaves do reino e só você poderá fazer uso delas.
Então se ponha em condições, cada dia, de fazer penetrar essas chaves em seu próprio reinado, no mundo da sua consciência e o fim será maravilhoso. Prepararmo-nos para o futuro e para a eternidade, deve ser a nossa mais ardente preocupação. Mas nunca pelo aniquilamento do próximo, do nosso irmão, ou com processos escusos de matar animais.

O Evangelho, repetimos, está de braços abertos aguardando a nossa chegada. É o amigo sempre presente; faça amizade com ele e terá encontrado o caminho que você procura. O Espiritualismo de Umbanda está aí para proporcionar Luz e Amor no entendimento e no coração dos filhos de Deus e não para promover demandas, nem atiçar a fogueira do ódio, da vingança, das represálias. Não! “A melhor maneira de se extinguir o fogo é recusar-lhe combustível. A fraternidade operante será sempre o remédio eficaz, ante as perturbações dessa natureza. Por isso mesmo o Cristo aconselhava o amor aos adversários, o auxilio aos que nos perseguem e a oração pelos que nos caluniam, como atitudes indispensáveis à garantia da nossa paz e da nossa vitória”. – Citado por André Luiz em “Nos Domínios da Mediunidade”.

"Buscai e achareis"


A sugestão imperativa do Cristo através do "Buscai e achareis", embora se refira a uma iniciativa de ordem moral e algo mística do espírito, implica na idéia de "pesquisa", porquanto, "buscar" ou procurar é sempre investigar para encontrar. Assim, a legislação divina preceitua ao espírito encarnado que se movimente, incessantemente, na "busca" de sua própria realidade espiritual, malgrado também deva atender, disciplinadamente, às exigências justas do seu organismo físico. Além de outras revelações ocultas, que a humanidade terrícola irá identificando, tanto quanto se fizer o desenvolvimento "mental-espiritual" do homem, o conceito do "Buscai e achareis" é uma sequência miniatural da mesma Lei do Universo, que impele toda a criação para o progresso e aperfeiçoamento. 
Ramatís - Sob a Luz do Espiritismo.

Os Benefícios da Meditação

Por Bhikkhu Piyananda

Photo by Molecularchaos
O homem é tão ocupado procurando várias maneiras de ter prazer numa disputa diária. O que a meditação tem a oferecer? Os benefícios da meditação são:
• Se você é uma pessoa ocupada, a meditação pode ajudá-lo a livrar-se da tensão e conseguir um pouco de descanso.
• Se você é uma pessoa aflita, a meditação pode ajudá-lo a encontrar a paz temporária ou permanente.
• Se você é uma pessoa que tem problemas intermináveis, a meditação pode ajudá-lo a criar coragem e força para enfrentar e resolver seus problemas.
• Se você não tem autoconfiança, a meditação pode ajudá-lo a ganhar a autoconfiança que precisa. Esta autoconfiança é a alma do seu sucesso.
• Se você tem medo em seu coração, a meditação pode ajudá-lo a entender a real natureza das coisas que fazem você ter medo - então poderá superar o medo em sua mente.
• Se você está sempre insatisfeito com tudo - nada na vida parece estar bem - a meditação dará a você a oportunidade de desenvolver e de manter alguma satisfação interior.
• Se você é cético e desinteressado por religião, a meditação pode ajudá-lo ir além de seu próprio cepticismo e ver algum valor prático no exercício da religião.
• Se você está frustrado e desiludido devido à falta de compreensão da natureza da vida e do mundo, a meditação realmente o guiará e o ajudará a compreender que você está perturbado por coisas insignificantes.
• Se você é um homem rico, a meditação pode ajudá-lo a compreender a natureza de sua riqueza e como fazer uso dela para sua própria felicidade como também para a de outras pessoas.
• Se você é um homem pobre, a meditação pode ajudá-lo a ter contentamento e não abrigar inveja daqueles que têm mais do que você.
• Se você é um homem jovem que está na encruzilhada da vida, sem saber que caminho tomar, a meditação o ajudará a saber qual estrada seguir a fim de atingir a sua meta.
• Se você é um homem velho e está aborrecido com a vida, a meditação o levará a um profunda compreensão da vida; esta compreensão, por sua vez, o aliviará das dores da vida e aumentará a sua alegria de viver.
• Se você é uma pessoa mal humorada, poderá desenvolver o poder para superar esta fraqueza resultante da raiva, do ódio e do ressentimento.
• Se você é ciumento, poderá compreender o perigo de seu ciúme.
• Se você é escravo dos seus cinco sentidos, poderá aprender como tornar-se senhor de seus desejos.
• Se você é dependente de bebidas ou de drogas, poderá cuidar de superar este perigoso hábito que o escraviza.
• Se você é uma pessoa ignorante, a meditação lhe dará a oportunidade de cultivar algum conhecimento; este será útil e o beneficiará como também a seus amigos e a sua família.
• Se você realmente pratica a meditação, sua emoção nunca mais terá a oportunidade de fazer de você um tolo.
• Se você é uma pessoa sábia, a meditação o levará a suprema iluminação. Então você verá as coisas como realmente são e não como elas parecem ser.
• Se você é uma pessoa de mente fraca, a meditação fortalecerá sua mente para desenvolver seu autopoder a fim de superar sua fraqueza.
Estes são alguns dos benefícios que virão praticando a MEDITAÇÃO. Estes benefícios não estão à venda em nenhuma fábrica ou lojas de departamentos. Dinheiro não pode comprá-los. Eles somente poderão ser seus se você meditar. No começo, esta espécie de conscientização é na verdade uma mente “atenta” observando outras “mentes” (as quais estão, certamente, dentro do seu próprio contínuo mental). Por esse meio, desenvolve-se a habilidade de olhar para dentro da mente e acompanhá-la.