SUICÍDIO - Richard Simonetti
1 - Existe o carma do suicídio?
O problema do suicídio não é de carma. Decorre da falta de calma quando não aceitamos as provações humanas.
2 - E se a pessoa tem uma depressão tão forte que não consegue viver, enxergando no suicídio sua única saída?
Seria
uma boa saída se a vida terminasse no túmulo. Como não termina, o
suicídio apenas abre a porta para um mergulho com sofrimentos maiores.
3 - Aqueles que enfrentam graves depressões parecem não se importar muito com essa perspectiva. Consideram que não pode existir situação pior do que a que estão enfrentando.
Enganam-se.
Não há na Terra sofrimento que se compare ao do suicida. O Espírito
Camilo Castelo Branco deixa isso bem claro no livro “Memórias de um
Suicida”, psicografia de Yvonne A. Pereira, onde descreve suas
experiências no Vale dos Suicidas.
4 - É possível alguém ser induzido ao suicídio por um Espírito obsessor?
Sim.
Mas é preciso lembrar que os obsessores apenas exploram nossas
tendências. Dificilmente conseguirão induzir ao suicídio um coração
confiante em Deus, habituado a cultivar otimismo e bom ânimo.
5 - Não há casos de subjugação em que o obsessor sobrepõe-se às reações do obsidiado, precipitando-o no auto-aniquilamento?
Aparentemente, sim. Tenho observado casos de suicídio que mais parecem assassinatos cometidos por Espíritos.
6 - Nesse caso o suicida estaria isento de responsabilidade?
É
difícil ajuizar até que ponto ele estava impedido de reagir. De
qualquer forma a responsabilidade é compatível com seu grau de
maturidade e informação. Há circunstâncias atenuantes, como numa
obsessão; ou agravantes, como o fato de estarmos perfeitamente
conscientes do que fazemos e das conseqüências.
7 -Como confortar as pessoas que passam pela desdita de um suicídio na família?
É
preciso ter sempre presente que o suicida não perde a condição de filho
de Deus, nem é confinado em tormentos irremissíveis. Deus não desampara
nenhum de seus filhos. O suicida aprende da forma mais dolorosa, mas
segundo sua própria escolha, que a Vida deve ser respeitada.
8 -O que podemos fazer pelos suicidas?
Em
princípio, cessar o questionamento, deixando de cultivar reminiscências
(lembranças) que repercutem dolorosamente neles. E, sobretudo, orar em
seu beneficio. Dizem os suicidas que este é o seu refrigério.
Suicídio
É possível amenizar os sofrimentos de suas vítimas?“A bênção de um
corpo, ainda que mutilado ou disforme, na Terra, é como preciosa
oportunidade de aperfeiçoamento espiritual, o maior de todos os dons do
nosso Planeta”.
“Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem”? O de viver
“Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu
semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a
existência corporal.” Se o homem não tem o direito de tirar a vida do
próximo, e sim dever de amá-lo "como a si mesmo", muito menos tem o de
eliminar a própria vida. Sobretudo para respeitar o quinto mandamento,
que preceitua: "não matarás"!
No momento de desespero, os suicidas não entendem que não há mal que o
tempo não cure. E acolhem obsessores cruéis, implacáveis, que os
conduzem à queda e, aos poucos, os submetem à sua vontade doentia,
rancorosa. Não refletem sobre a dor que seu gesto extremo causará
naqueles que os amam, não levam em conta seus desdobramentos sobre os
que ficam e que são outras tantas vítimas de seu ato impensado:
familiares e amigos, dos dois planos da Vida. Só tardiamente lamentam
esse esquecimento. No entanto imaginamos quão pungentes dores advêm a
essas almas, quando sensíveis e amorosas: para os corações das mães, dos
pais, esposos, filhos, irmãs, irmãos, ou dos diletos amigos! É dor
amarga, atroz, de todos os momentos, que só o tempo, a prece, a prática
do bem e a ação de Espíritos nobres conseguem suavizar. A Doutrina
Espírita é, também para eles, farta em consolações, indicando meios que
aliviam sofrimentos, abreviam provas, serenam as almas dos que foram e
dos que ficaram. Todos eles podem, "aviando as receitas" que o
espiritismo prega ajudarem-se, eliminando do coração, da mente, a
angústia; e amparar os que partiram. Abre ela os caminhos à fé e à
misericórdia infinita de Deus, pela oração sincera e a prática do bem
incessante - enfim, da Caridade, melhor prece que se eleva da Terra aos
Céus!
É-nos informado por um mentor espiritual (Espírito Camilo Cândido
Botelho, pela médium Yvonne A. Pereira, no livro "Memórias de um
Suicida") “Consola saber que a doce mãe de Jesus é o Espírito sublime
que se compadece dos suicidas e lhes estende as mãos; que a "Legião dos
Servos de Maria" socorre os Espíritos enfermos que partiram
voluntariamente da Terra, conduzindo-os ao "Hospital Maria de Nazaré",
onde são medicados, reeducados e preparados para reencarnações
reparadoras! A agressão ao corpo físico lesa também o corpo espiritual,
denominado pelo Apóstolo Paulo de "corpo celestial" que Allan Kardec
chamou de perispírito. É ele a matriz que vai registrar, nos corpos das
encarnações subseqüentes, o resultado dessas lesões, na forma de
enfermidades dificilmente curáveis. É preço a pagar pela rebeldia aos
desígnios celestes, pelo mau uso do livre-arbítrio.
No livro "Religião dos Espíritos", Emmanuel, comentando no capítulo
Suicídio a questão 957 de "O Livro dos Espíritos", assinala que "os
resultados dos suicídios não se circunscrevem aos fenômenos de
sofrimento íntimo, porque surgem os desequilíbrios com impositivos de
reajuste em existências próximas." E relaciona enfermidades que, como
conseqüência do suicídio, a Lei impõe aos rebeldes. Como se segue na
continuidade. Quem lê os livros assinalados ou a obra &quo";O Céu e o
Inferno" (no Capitulo V da 2ª Parte há depoimentos de Espíritos
suicidas, comentados por Kardec), ou, ainda, "O Livro dos Espíritos",
sobretudo as questões de números 943 a 957, jamais pensará em atentar
contra a própria vida. Ao contrário, passará a oferecer preces e a
praticar o bem, em favor daqueles que caíram nesse erro lastimável.
Se a muitos assusta a revelação dos sofrimentos atrozes porque passam os
suicidas, não apenas no plano espiritual, mas nas reencarnações
reparadoras - especialmente àqueles que, ingenuamente, alimentam a
ilusão de que o perdão de Deus tudo suprime de forma mágica, instantânea
-, também nos conscientiza, a todos, do dever que nos cabe de valorizar
o corpo de carne, de evitar o suicídio, divulgando a Verdade,
consolando e encorajando os aflitos, salientando o valor da prece como
sustentáculo nas provas ou como recurso e lenitivo intercessores, em
favor dos que caíram, consumando o ato trágico, doloroso. Os Espíritos
nos advertem das provações a que são conduzidos os que, frágeis, tentam
fugir da vida. Mas Deus sempre nos dá os meios de superar dificuldades,
por maiores sejam elas. Se, extraordinários esses sofrimentos, maior
ainda é o amor de Deus, que renova a todos oportunidades de reconstrução
do equilíbrio.
Um espírito consolando um suicida, afirma-lhe:
“Nos maiores abismos, há sempre lugar para a esperança”. Não se deixe
dominar pela idéia da impossibilidade. Pense na renovação de sua
oportunidade, medite na grandeza de Deus. Transforme o remorso em
propósito de regeneração.
“Os trabalhos de auxílio fraterno geralmente são iniciados através de orações de parentes desolados.”
Vamos ter animo. Se essas idéias nos vierem à mente; ou se familiar ou
amigo partiu da Terra por esse meio, que não elimina a vida, mas
acarreta dores atrozes e o remete a provas superiores àquelas de que
tenta fugir, recorramos à oração sincera e à prática do bem. Resignemos e
aprendamos a confiar-agindo-orando-amando-renunciando-abatendo o
orgulho e aceitando a pobreza, se perdermos a fortuna, ou a pessoa
amada, por morte, abandono, ou outro motivo; submetendo-nos às
provações, que breve passam. Todas as circunstâncias se modificam. No
próximo minuto ou no amanhã, surgem oportunidades para superar
obstáculos aparentemente intransponíveis e as rudes provas. Confiar,
fazendo o melhor de nós.
Oremos pelos suicidas, e por outros sofredores, compadecendo-nos de suas
dores, sem condená-los. É o que nos diz o amoroso mentor Emmanuel, na
obra "Escrínio de Luz”, estimulando-nos, encorajando-nos a superar
provas, que são "material educativo do templo em que nos asilamos”.
Esclarecimentos
"Todos os suicidas, sem exceção, lamentam o erro praticado e são acordes
na informação de que só a prece alivia os sofrimentos em que se
encontram e que lhes pareciam eternos." A prece é instrumento que atrai
alívios celestes, que descem dos Céus à Terra, aliviando,banindo dores! A
prece e a fé são alavancas que alevantam os caídos nos caminhos da
evolução. Recorram, pois, aqueles que sofrem esse drama, à prece e,
sobretudo, à amorosa intercessão da Mãe Celestial!
Santo Agostinho
"Se soubésseis quão grande bem faz a fé ao coração e como induz a alma
ao"arrependimento e à prece! A prece! Ah! Como são tocantes as palavras
que saem da boca daquele que ora! A prece é o orvalho divino que aplaca o
calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé, ela nos encaminha
para a senda que conduz a Deus”.
Há seguimentos religiosos, que se apõem a posição de que tudo aquilo que
nos recomenda a Doutrina de Jesus, que negam a prece aos "mortos" -
conforme ensina lacrada está para sempre a sua sorte: esquecidas de que a
misericórdia do Pai estimula a fraternidade e se compadece dos caídos e
os busca, para os erguer; outras se recusam a orar pelos suicidas -
sofredores dos mais necessitados e aos quais a prece alivia - ou, mesmo,
a sepultá-los no "campo santo", como se houvesse no Universo região que
não seja obra do Pai de Amor e, portanto, sagrada -; ou que as sábias
Leis Divinas se submetessem à ignorância, ao arbítrio dos homens. "Deus é
Amor" e esse Amor é expresso em tudo. A Doutrina Espírita esclarece as
mentes e evita o suicídio, além de contribuir para a recuperação do
equilíbrio tanto daqueles que está com a idéia de tentar fugir à vida,
quanto daqueles que realizaram esse ato dramático, além de consolar as
'vítimas' que ficaram: Conhecer, estudar, divulgar seus ensinamentos, é a
melhor forma de se evitar suicídios; de orientar e consolar familiares e
amigos; pois fala aos corações com o depoimento vivo dos que tentaram
fugir de problemas, mergulhando em dores inimagináveis; assim como
daquilo que os alivia e favorece: a oração. Em nenhuma hipótese se
justifica o gesto impensado de atentar contra a própria vida. Só a
ignorância, a falta de fé em Deus, na Sua bondade, pode levar a criatura
a se rebelar contra seus desígnios.
Mentores da Espiritualidade afirmam que suicidas continuam
experimentando os padecimentos físicos da última hora terrestre , em seu
corpo somático, indefinidamente. Anos a fio , sentem as impressões
terríveis do tóxico que lhes aniquilou as energias , a perfuração do
cérebro pelo corpo estranho partido da arma usada no gesto supremo, o
peso das rodas pesadas sob as quais se atiraram na ânsia de desertar da
vida, a passagem pelas águas silenciosas e tristes sobre os seus
despojos, onde procuraram o olvido criminoso de suas tarefas no mundo e ,
comumente, a pior emoção do suicida é a de acompanhar , minuto a minuto
, o processo da decomposição do corpo abandonado no seio da terra ,
verminado e apodrecido.
De todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles
pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do
amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez
sentir, junto aos homens, sem a luz da misericórdia.