Vamos falar um pouco sobre desenvolvimento, pois sabemos que este é um
dos maiores problemas que encontramos dentro de muitas casas e muitos
Zeladores permitem que tal procedimento aconteça ao Deus Dara, sem uma
regra ou uma doutrina necessária para o futuro do médium, que vejo da
seguinte forma:
--Vem a ser a base de todo trabalho resultante para o futuro de um
médium e tem que haver um preparo minucioso para que o mesmo não se
perca com suas próprias entidades. Tudo deve ter um começo, meio e fim.
Para nós o que realmente interessa é o começo! Imagine um alicerce mal
construído, a base quebra e tudo desmorona, ou seja, os andares de cima
não se ajustam à base e tudo vem a baixo.
Portanto, para nós o que interessa em nosso desenvolvimento é a nossa
base, que é chamada de Entidade Chefe de nossa Coroa, seja ela um
Caboclo ou um Preto velho.
Um médium em desenvolvimento deve se preocupar somente com isso no
inicio e essa entidade chefe com seu tem que estar totalmente preparada
para poder sustentar com seu poder de comando as demais entidades que
eventualmente venham a trabalhar com o médium o passar do tempo. Caso
isso se não ocorrer o médium passara por uma turbulência muito grande e
acabara se perdendo em seu desenvolvimento, achando que um Caboclo de
Ogum é de Oxossi ou até mesmo de Xangô. E assim também acontece com as
sublinhas com mais facilidade.
Portanto, no meu entender como Zelador, quanto maior o numero de entidades o médium iniciante incorporar, pior para ele será no futuro porque não terá ele um autocontrole de suas entidades, e o respeito das demais pela Entidade que comanda a sua coroa.
Sendo assim, o médium não deve ter pressa em sua caminhada espiritual. Vivemos uma vida inteira e temos muitas surpresas resultantes de nossos trabalhos espirituais.
Um bom trabalho é aquele feito passo a passo, degrau por degrau,
portanto, os médiuns em inicio terão que passar por uma triagem junto à
casa para podermos melhor avaliar e ver até onde realmente cada um tem
como sua base.
Sou exigente e cauteloso e até mesmo chato com relação à preparação de
um médium, mas nunca passei vergonha em qualquer casa que fui e os meus
guias sempre trabalharam mostrando o que aprenderam com simplicidade e
humildade e acima de tudo com segurança do que estavam fazendo.
Espero que todos tenham o mesmo entendimento que eu, pois acredito que
mais vale o médium trabalhar bem com uma entidade do que trabalhar “mais
ou menos” com dez. Isso, no meu ver, não tem lógica.
Todo médium tem um polo positivo e outro negativo e quando falamos do
polo negativo estamos nos referindo ao exu, não porque ele seja ruim, e
sim porque esta dando o equilíbrio que todos nós temos que ter.
Ele também deve ser tratado e reverenciado sempre com muito respeito
porque obedece ao comando da entidade chefe que cuida de nossa coroa.
Sem este
equilíbrio não teríamos força para desempenhar nossos trabalhos. E,
sendo assim, fica claro e de fácil entendimento que o médium em
desenvolvimento tem que tomar todas as cautelas para se tornar um
verdadeiro soldado da nossa tão querida Umbanda. Quanto
aos médiuns já desenvolvidos, estes devem realmente estar preparados
para poderem diferenciar quais as entidades que realmente estão
incorporando para não ficar nenhuma duvida dos seus desempenhos quando
solicitados em trabalhos inerentes ao terreiro.
Fica claro,
que o médium iniciante, só poderá incorporar um caboclo ou um preto
velho, até o mesmo dar o nome e riscar o seu ponto. Já
os médiuns desenvolvidos, mas ainda sem ordens de trabalhos, estes
poderão incorporar todas as suas entidades, mas ficando claro que ainda
são proibidos de dar qualquer atendimento ao publico, ficando
autorizados a ajudarem no atendimento dos médiuns da casa e só quando
autorizados poderão dar atendimento ao publico em geral, ficando,
portanto, toda a responsabilidade de atendimento aos médiuns já prontos
ou coroados (os Pais e Mães pequenas do terreiro e seus Zeladores).
Bem, acredito que tenha ficado claro como é um procedimento serio e
sendo assim, com certeza terá resultados maravilhosos, pois tenho uma
larga experiência disso.
Outro detalhe
que ocorre muito em terreiros: --Depois de todo esse trabalho do Zelador
para poder ter um médium à altura dentro de sua casa para poder
auxiliar nos trabalhos, este abandona tudo, se revolta e ainda sai
falando mal dele.
Mas também devemos entender que essa é a missão de um “Pai Espiritual” e
não devemos esperar recompensas e nem um muito obrigado. Esta é a cruz
que carregamos e devemos ter paciência porque lá na frente vem mais!
São por estas razões que, infelizmente, vemos muitas marotagens e falta
de dedicação de muitos Zeladores, e ai esta outro erro, por que não
devemos generalizar para todos os filhos da casa, já que a missão de um
Zelador não é tão diferente da de um pai uma mãe na matéria, onde
criamos os nossos filhos para o mundo. Assim como aqui, na
espiritualidade todos têm o livre arbítrio de seguirem seus caminhos.
Muitas vezes a culpa vem do Zelador por não ter o preparo e a capacidade
de assumir um posto tão importante e de tão grande responsabilidade,
pois quem quer respeito tem que se fazer por merecer. Então vemos por aí
muitas coisas desnecessárias que é melhor não fazermos comentários
vexatórios ou denegrir este ou aquele pela sua forma de conduzir um
templo sagrado.
A Umbanda só
não tem grande força junto aos seus adeptos por culpa, única e
exclusiva, dos seus dirigentes, se assim podemos chama-los. Não
têm união e cada qual fala uma doutrina, sem contar QUE UM QUER SER
MELHOR QUE O OUTRO. E isso é uma tragédia, pois não existe nada disso e a
grande diferença esta na capacidade material de cada um, da dedicação,
na postura, no respeito, etc.
Muitos confundem a cabeça de seus filhos com esse negocio de quem é seu
Pai, de quem é sua Mãe, de quem é seu Juntó. Em cada lugar que o médium
vai ele arruma um Pai e uma Mãe diferentes.
No meu entender o médium tem que se fazer presente aos trabalhos e o seu
Zelador tem que dar-lhe um acompanhamento e ver quais as manifestações
que ocorrem no desenvolvimento dele para, depois, chegar às conclusões
corretas e posteriormente, e só então, fazer as devidas obrigações.
Isto, queira ou não, traz insegurança àqueles que realmente querem
respostas coerentes e precisam de uma forma segura para fazer suas
obrigações.
Quantas vezes você já não escutou dizer que tal filho fez suas
obrigações para um determinado santo e ai veio outro Zelador e disse que
foi feito tudo errado porque ele é filho de outro Orixá e tem que fazer
tudo novamente, já que é por esta razão que sua vida não anda.
Sem sombra de duvida, daí vem a descrença, o desanimo e até mesmo o
abandono total da religião. E de quem é a verdadeira culpa do médium
abandona-la?
Claro que a culpa não é dos dirigentes bidus, adivinhos e espertalhões, os feitos em pé, como dizem, porque eles não a assumem.
Quando um filho de fé nos procura, devemos ser honestos e esclarecer o
mesmo de que, para ter tal resposta, é necessário todo um processo,
sendo que muitas vezes o próprio médium tem a resposta de quem são seus
orixás, sem que ninguém precise colocar nada em sua mente.
Este é um assunto extremamente serio e não podemos acreditar em um
Zelador que, já na primeira consulta, nos diz quem são nossos orixás e
já quer fazer nossas obrigações.
O modo mais correto é o assunto ser discutido entre o médium e seu Zelador até chegarem a uma conclusão juntos.
Acreditem! Ninguém
precisa dizer para você quem são suas entidades e a que orixás
correspondem. Com o passar do tempo todas as duvidas existentes no
inicio do seu desenvolvimento serão esclarecidas pelas próprias
manifestações dos seus Orixás. E, quem melhor que eles para dizer-lhe o
que querem que seja feito? Então,
aí sim, com o apoio do seu Zelador e com conhecimento dos rituais, será
feita a obrigação mais correta que possa existir e em comum acordo de as
partes: Zelador, Médium e o seu Orixá.
Autoria do texto:
Pai Edson de Oxossi - Associação Cacique Cobra Coral
Pai Edson de Oxossi - Associação Cacique Cobra Coral
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