Deus é Amor

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Cabana da Esperança

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Livro Tambores de Angola.


Estava sossegado em casa, quando toca a campainha. Abro a porta e faço entrar o visitante. Era um amigo que vinha fazer uma visita. Acomodado a um sofá, foi logo de chofre in-terrogando:
- Você já leu o livro “Tambores de Angola”?
Não, respondi. E pelo título, não faz parte de minhas leituras.
Retrucou o visitante:
- É um livro espírita, que relata o trabalho dos Espíritos junto as Tendas de Umbanda. Esses Espíritos quando encarnados na Terra estavam na condição de escravos no Brasil. Juntam-se aos Espíritos de ex-escravos afro, Espíritos que foram indígenas, também no Brasil. E juntos realizam um trabalho de auxílio a Espíritos ignorantes, perversos e vingativos.
Isso foi o que li neste livro.
- E o que está levando você a ler e se preocupar com es-se livro, perguntei?
- Bem, é que gostaria de ter a sua opinião a respeito do livro!
- Como já lhe disse, o título do livro não me encoraja a uma leitura, mas não custa nada fazer uma análise. No entanto, adianto que não poderei dar minha opinião, quando muito, darei um pitaco, que pouco valor tem partindo de mi-nha parte. Você tem o livro?
- Sim, leia e opine, por favor. Estou com umas dúvidas e preciso ouvir uma opinião imparcial.
Agradeci a deferência, sabendo que não mereço tamanha consideração. Conversamos outros assuntos e o amigo se despediu.
Não perdi tempo e iniciei a leitura do livro “Tambores de Angola”. E aqui, eis o meu pitaco.

Livro: Tambores de Angola.
Autor: Robson Pinheiro, da cidade Belo Horizonte-MG. Ditado
pelo Espírito Ângelo Inácio.
Edição: Editora Casa dos Espíritos.

1. – O Livro e o Autor.
O Autor, Sr. Robson Pinheiro se apresenta como médium e como tal, informa que o livro foi ditado pelo Espírito Ângelo Inácio, que adotou este pseudônimo.
De cara dizemos que o livro não é de Caráter Espírita, entretanto, o Autor afirma ser de Caráter Mediúnico. De qualquer forma não deixa de ser uma imitação grosseira e grotesca do livro “Nosso Lar” e de outros livros de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito André Luiz.
Não é de Caráter Espírita, porque o conteúdo do livro contendo uma estória comum referente a sentimentos de ódio e vingança, não faz nenhuma conotação com o ensino doutri-nário da Doutrina Espírita.
Sendo, no entanto, de Caráter Mediúnico, demonstra o Espírito, autor do ditado, ser neófito no Mundo Espiritual e não ter muita responsabilidade com a verdade.
O Autor se apresenta como médium, mas quer nos parecer que lhe faltou o devido cuidado em analisar a mensagem recebida ou mesmo solicitar a uma pessoa que o fizesse, an-tes de entregar a publicidade.
Aksakof, aliás, estudando a mediunidade, agrupou sob a classificação geral de Animismo os fenômenos produzidos pela Alma do homem vivo. Nessa rubrica está o Personis-mo, que são fenômenos psíquicos inconscientes, produzidos nos limites da esfera corpórea do médium, ou intramediúnica, cujo caráter distintivo é, principalmente, a personifica-ção, isto é, a apropriação (adoção) do nome e muitas vezes do caráter de uma personalidade estranha à do médium. É a mais simples manifestação do desdobramento da consciência. [1]
Os elementos dessa espécie de fenômeno podem ter um caráter múltiplo: normal, anormal ou fictício, segundo as condições do organismo (sono natural, sonambulismo, mediunismo) Portanto, conforme Aksakof, Personismo são fenômenos de dissociação funcional da atividade psíquica, porque constituem um mecanismo primário da mediunidade e um estágio inicial do transe mediúnico.
No presente caso, percebe-se no livro “Tambores de Angola” que o assunto da forma como foi tratado não se enquadra na classificação de Aksakof. E caberia ao médium, fazer uma análise depuradora da mensagem recebida, evitando assim desgastes desnecessários.
Aliás, Léon Denis em sua obra prima [2], cita o caso de Victor Hannequin, um médium francês que se julgava investido de uma missão divina e que se auto-intitulava vice-deus na Terra. Este exemplo trazido por Denis, reforça a idéia da ne-cessidade de o médium está sempre vigilante para os escolhos da mediunidade.
Mas, adentremos o conteúdo do livro.

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