Deus é Amor

Deus é Amor
Cabana da Esperança
Mostrando postagens com marcador História de Mahatma Gandhi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História de Mahatma Gandhi. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de abril de 2013

História de Mahatma Gandhi


Gandhi: a Morte do Mahatma

reprodução
Enquanto um número considerável de estadistas, líderes políticos e revolucionários do século XX, homens que provocaram guerras ou causaram massacres terríveis, morreram de causas naturais; Gandhi, um dos maiores pacifistas desse século, pai da independência da Índia, aquele que tudo fez ao longo da sua prodigiosa atividade para banir a violência da vida política, terminou por dessas ironias da vida assassinado a tiros em Nova Délhi em 1948.


O Momento Final


"Eu sei que hoje em dia irrito todo mundo. Como posso acreditar que somente eu tenho razão e que todos os outros estão errados? (...) devem dizer-me francamente que eu sou velho e que não sirvo a ninguém e que não devo me intrometer no seu caminho. Se me falarem assim abertamente eu não serei mais o estorvo do mundo."
Mohandras K.Gandhi, janeiro de 1948




reprodução
Gandhi e suas sobrinhas-netas
Enrolado no khaddar, a manta branca indiana que lhe encobria o seu físico enrugado e descarnado - amparado em duas das suas jovens parentes, "minhas muletas", como costumava dizer -, Gandhi aproximou-se da multidão. Esperavam-no nos jardins da Birla House em Nova Délhi, no entardecer do dia 30 de janeiro de 1948. Sempre que chegava a uma cidade ele abrigava-se nos casebres dos harijan, os intocáveis, para que seu exemplo atenuasse o preconceito que os párias sofriam na complicada sociedade de castas indiana. Desta vez o grande homem abrira uma exceção. Na sua estada em Nova Délhi, a última da sua vida, decidiu hospedar-se na residência de um ricaço.



Os Tiros

reprodução
N.Godse, o assassino de Gandhi, executado em 1949
Mal o avistaram, cercaram-no. Vinham de longe para ver o Mahatma, "a grande alma", o homem santo que os havia libertado de dois séculos de domínio britânico. Em meio ao tumulto respeitoso, num repente, espocaram três tiros. Gandhi encolheu-se no chão, baleado por uma mão que empunhara uma Beretta. As suas roupas, tecidas por ele mesmo na sua roca de fiar, mancharam-se de sangue. Os gritos da multidão comovida e indignada misturaram-se aos seus fracos e derradeiros gemidos. O apóstolo da satyagraha, a não-violência, fora executado a bala.



O Atentado como Protesto



Gandhi used to claim the Partition would be over his dead body. So after Partition when he didn't die, we killed him." (Gandhi alardeava de que a Partição [da Índia] só ocorreria sobre o seu cadáver. Assim quando ele não morreu depois da Partição, nós o matamos.)
Gopal Godse, irmão do assassino de Gandhi

reprodução
Gandhi, fiando suas roupas
 

Detiveram o pistoleiro. Chamava-se Nathuram Godse, um ativista da RSS (Rashtriya Swayamsevak Sangh), uma organização da extrema-direita nacionalista do estado de Maharastra, que vira no atentado um protesto contra a secessão do subcontinente entre hindus e muçulmanos, referendada pelo Mahatma. O pistoleiro, um ex-alfaiate, fora o braço armado de uma conspiração de certa dimensão. Dias depois um imenso cortejo, regado pelas lágrimas do pais inteiro, acompanhou pelas avenidas de Nova Délhi, a capital da Índia independente, o corpo de Gandhi, o Ram. o homem ideal do épico Ramayana, até a enorme pira funerária que ergueram para incinerá-lo. Mataram-no aos 79 anos de idade.



A Babilônia Indiana

reprodução
Buda
Ninguém como ele articulara de maneira tão hábil certas características do ser indiano com princípios universais abstratos. Além de encontrar-se dividido em mais de três mil castas e subcastas diversas, espalhadas por milhares de aldeias, seu povo - uns 400 milhões naquela época - falava mais de 60 línguas, sâncritas e não-sâncritas, e orava a deuses diversos. No norte, no atual Paquistão e na Caxemira, prostravam-se para Meca, no restante incensavam Brahma e milhares de outras divindades, entre elas Sidarta Gautama, o conhecido Buda. A Índia era um monumento humano erguido ao Caos regado pela chuva das monções.
Gente Mansa, Cordata

reprodução
Gandhi marchando pela Índia
Gente vegetariana, submissa, desafeita à guerra, vocacionada a suportar flagelações, jejuns terríveis e sofrimentos os mais diversos, os indianos não refugaram em aceitar a ahimsa, a doutrina difundida por Gandhi, baseada nas leituras que ele fizera de Leon Tolstoi e Henry Thoreau, que exaltavam o dogma de não ferir-se a ninguém. Quando seus seguidores, por vezes, descontrolavam-se em seu desejo de vingança contra o colonizador, apelando às armas, como ocorreu no lamentável incidente na aldeia de Chauri Chaura, em fevereiro de 1922, Gandhi protestou contra a agressividade da sua própria gente com jejuns expiativos. Era infalível. Acalmaram-se. Ele decidira-se pela original estratégia de cansar o braço do agressor, de constranger o porrete dos ingleses perante sua coragem pacífica e a superioridade moral da cultura indiana. Para Churchill, irritado, ele não passava de um "faquir sedicioso".

A Discórdia entre Hindus e Muçulmanos

reprodução
Os conspiradores
Cinco meses antes de morrer, Gandhi, após mais de meio século de lutas, cadeias e teimosos jejuns de fome, felicitou-se ao saber que Lord Mountbatten, o último vice-rei da Índia, finalmente arriara a bandeira britânica em 15 de agosto de 1947. Para embaraço e mais profunda vergonha do grande líder indiano, tudo voltou a ensombrecer-se. Muçulmanos e hindus, agora cidadãos livres de uma Índia emancipada, deslocando-se para as respectivas áreas determinadas pelo acordo, no caminho, ao encontrar-se em lados diferentes das estradas, jogaram-se uns contra os outros numa guerra de rotos contra tortos, um bellum miserabilium, linchando-se com paus e pedras. Calcutá, a megalópolis dos mendigos, virou um inferno.

Milhões de Mortos

reprodução
Gandhi, um pouco antes da incineração pública
Naquela trágica divisão, entre uma Índia hindu (governada por Nehru) e a outra muçulmana (governada por Jinah), calcula-se que morreram nos motins de 1947/8 dois milhões de pessoas. Naquele pequeno entreato - entre a saída das autoridades das colônias inglesas e suas substituição pelos inexperientes governos nativos -, assassinaram mais indianos do que durante os dois séculos de ocupação colonial (incluindo as baixas do motim dos Cipaios, os soldados indianos que se revoltaram contra os ingleses no século XIX). A humanidade demonstrava com aquela onda de bárbara violência que retornava ao seu leito natural de estupidez. Gandhi que fizera o império britânico inteiro vergar apenas com marchas e jejuns de fome, assombrado e decepcionado com tudo aquilo, tinha razão, tornara-se um estorvo em meio a um povo tomado de ódio cego contra o seu vizinho. Só lhe restou morrer.