Deus é Amor

Deus é Amor
Cabana da Esperança

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O não perdão e os processos de cura

Todas as doenças têm origem num estado de não-perdão
Sempre que estamos doentes, necessitamos procurar dentro de nossos coraç
...ões para descobrirmos quem precisamos perdoar.
O conhecido livro Course in Miracles (Um curso em milagres) diz: "Toda doença tem origem num estado de não-perdão" e "Sempre que ficamos doentes, precisamos olhar à nossa volta para vermos a quem precisamos perdoar".
Eu acrescentaria a isso que a pessoa a quem você achará mais difícil perdoar é a DA QUAL VOCÊ MAIS PRECISA SE LIBERTAR. Perdoar significa soltar, desistir. Não tem nada a ver com desculpar um determinado comportamento. É só deixar toda a coisa ir embora. Não precisamos saber como perdoar. Tudo o que necessitamos fazer é estarmos dispostos a perdoar. O Universo cuidará dos "como".
Compreendemos bem demais nossa própria dor. Como é difícil para a maioria de nós compreendemos que eles, sejam lá quem forem, que mais precisam de nosso perdão, também estão sofrendo dor. Precisamos entender que eles estavam fazendo o melhor que podiam com a compreensão, a consciência e o conhecimento que tinham na época.
Quando alguém vem a mim com um problema, não importa qual seja - má saúde, falta de dinheiro, relacionamentos insatisfatórios, criatividade sufocada -, trabalho unicamente numa só coisa, ou seja, em amar o eu.
Aprendi que, quando realmente amamos, aceitamos e aprovamos a nós mesmos exatamente como somos, tudo na vida funciona.
É como se pequenos milagres estivessem em todos os cantos. Nossa saúde melhora, atraímos mais dinheiro, nossos relacionamentos tornam-se mais satisfatórios e começamos a nos expressar de forma plena e criativa. Tudo parece acontecer sem nem mesmo tentarmos.
Amar e aprovar a si mesmo, criar um espaço de segurança, confiança, merecimento e aceitação resultará na criação da organização da sua mente, criar relacionamentos mais amorosos em sua vida, atrair um novo emprego e um novo e melhor lugar para viver, e até permitir que seu peso corporal se equilibre. Pessoas que amam a si mesmas e aos seus corpos não se prejudicam nem prejudicam os outros.
A auto-aprovação e a auto-aceitação no aqui e agora são as principais chaves para mudanças positivas em todas as áreas de nossas vidas.
O amar a si mesmo, amar o eu, começa com jamais nos criticarmos por nada. A crítica nos tranca dentro do padrão que estamos tentando modificar. A compreensão e os sermos gentis conosco mesmos nos ajudam a sair dele. Lembre-se, você esteve se criticando por anos e não deu certo. Tente se aprovar e veja o que acontece
Repita esta afirmação:
"Na infinidade da vida onde estou, tudo é perfeito, pleno e completo.
Acredito num poder muito maior do que eu que flui através de mim cada momento de cada dia.
Abro-me à sabedoria interior, sabendo que existe apenas Uma Inteligência neste Universo.
Desta Inteligência vêm todas as respostas, todas as soluções, todas as curas, todas as novas criações.
Confio nesse Poder e Inteligência, sabendo que seja o que for que eu precise saber é revelado a mim e que seja o que for que eu precise vem a mim na hora, no espaço e na sequência certos.
Tudo está bem no meu mundo".
Louise Hay

Postado por Gero Maita do C.E.U ESPERANÇA 

terça-feira, 6 de maio de 2014

AS ENERGIAS DE MAIO


AS ENERGIAS DE MAIO Mensagem de Jamye Price 2 de Maio de 2014. REVISÃO DE ABRIL Gosto de ver como um ano evolui. Foi-me mostrado que 2014 é o ano da capacitação e que as energias de cada mês iriam desenvolver isto de forma maravilhosa. O ano começou com a energia da liberação em Janeiro, com a força mental em Fevereiro e a coragem e a criatividade do coração em Março e Abril. A Humanidade está entrando em um período de magnificência mais criativa. Em vez de acreditarmos que somos impotentes, a menos que suficiente ação seja realizada (muitas vezes de oposição), o que cria guerras de tipo e tempo infinito, estamos começando a compreender o poder dos nossos corações e mentes. Um coração que Ama facilmente é um forte unificador. Uma mente que se concentra claramente é um definidor, um refinador e um ampliador forte. Nesta energia, nós unimos a nossa própria vida à forma e ao mundo ao nosso redor. Tivemos um pouco de uma jornada difícil, astrologicamente, mas isto pode criar alguma mudança surpreendente. Muitas vezes, é preciso tempo para que a mudança evolua para algo tangível. Isto tira muitos do caminho do foco que acelera a forma. É muito mais fácil se distrair com o barulho da vida, em vez de ouvir a suave voz interior. Abril despertou uma série de feridas profundas que poderiam usar a Luz da cura do seu foco! A Grande Cruz Cardinal, próxima a um ciclo de eclipses, foi um grande catalisador para a cura. No segundo eclipse, eu senti uma energia de mudança iminente que parece bastante positiva. Agora, procurem as pistas da melhoria que estão se formando e se concentrem nela com o seu Amor! AS ENERGIAS DE MAIO Foi-me mostrado Maio como o mês do Espírito Íntimo. Após a chama um pouco intensa de Março e Abril, ficamos com uma doce chama que queima de forma constante e suave para aquecer interiormente. Coragem e paixão (as energias de Março e Abril), muitas vezes, queimam intensamente. Elas podem se inflamar, tendo absorvido todo o oxigênio de uma sala; ou elas podem instigar algo em uma nova forma. O fogo é um transmutador, ele muda as coisas rapidamente e inicia algo novo. Quando vocês honram o fogo, vocês o utilizam para inflamar, aquecer e transmutar com a sabedoria de um coração e mente, capacitados. Tanto a coragem quanto a paixão são valiosas, e, no entanto, elas evoluem para uma compreensão e um impulso que continua a sua energia em uma nova forma. Este é o Espírito Íntimo. A chama do Amor suave e inesgotável que ilumina um caminho, que invoca um foco, a área ao redor dela não muito claramente visível. Vocês são este Espírito Íntimo, incentivando e atraindo a Vida para a clareza da forma. Um componente emocionante que estive percebendo no final de Abril é o controle mental em sua agonia. Esta energia de ruptura da liberação mental continuará por algum tempo, e em um ritmo diferente para cada pessoa, mas estou contente de vê-la chegando a um novo nível de liberação. Lembrem-se de que como coisas como estas mudam. Em primeiro lugar, vocês têm uma experiência fugaz dela, então, isto acontece mais frequentemente e por períodos mais longos, até que seja uma parte natural de sua vida. Quando vocês realmente começam a viver o Amor em sua vida, a sua mente flui com esta corrente. É menos suscetível ao controle externo, á manipulação ou à força. Isto é difícil para muitos imaginarem, porque eles não podem ver além da experiência externa que parece insolúvel em frente deles. Isto é compreensível. É por isto que requer esforço, prática e tempo para realizar a verdadeira mudança mental e emocional em sua vida. Não é um caminho fácil, muitos escolhem a distração e o hábito, em vez do esforço da mudança interna. Abençôo-os pela coragem, Trabalhadores da Luz! Quando vocês honram o Espírito Íntimo, estão apreciando o calor tranqüilo da conexão, observando a vida através do olhar tranqüilo e afetuoso da mudança bem-vinda. Vocês apreciam as sombras que estão expostas na luz. O Espírito Íntimo é a coragem de permitir, a coragem de escolher, a coragem de manter um limite amoroso que serve à capacitação, ao invés da tranqüilidade do momento. O Espírito Íntimo perdoa facilmente, pois há um conhecimento do potencial além do momento e um rompimento invisível com a sua vida e com a matriz da humanidade e Toda a Vida na Terra, quando o seu campo energético está discordante, com raiva e ressentimento. O Espírito Íntimo entrará no espaço mais escuro e resplandecerá uma Luz que ilumina. Os Anjos não temem passar por lugar algum, pois o Espírito Íntimo é muito forte. Forte o suficiente para permitir, forte o suficiente para responder ao chamado do Amor. Esta é a verdadeira capacitação; um equilíbrio da dualidade que nós vemos aqui na terra ao permitirmos e direcionarmos o Amor em suas muitas facetas. RESUMINDO Maio tem a energia de desencadear a nossa capacitação através do foco interior. Para mim, este foi sempre o caminho da Ascensão – cada um de nós se tornando capacitado interiormente, discernindo, escolhendo, percebendo por nós mesmos, enquanto permitimos e ensinamos os outros a fazer o mesmo através do exemplo. É uma fórmula nebulosa e, no entanto, deve ser resolvida interiormente, embora por meio da interação com a Vida. O paradoxo. Em Maio, mais coragem, mais liberação mental e abertura do coração, mais calma interior. Mas vale a pena o esforço.

Oração a Nossa Senhora da Guia


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mediunidade

Olá meus leitores, eu sei que estou em falta com o blog e por isso estou aqui hoje… , para postar um ensinamento muito importante que eu li no JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, os créditos são todos do jornal.

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O valor da Mediunidade
Para que os irmãos reflitam sobre o valor da mediunidade, vamos relatar uma história acontecida nos planos espiritual e material, respectivamente.
Joaquim, um espírito recém desencarnado, cuja vida na Terra havia sido péssima, fez um pedido aos mentores espirituais de planos mais elevados, rogando desesperadamente nova oportunidade para resgatar as dívidas contraídas na extinta existência corpórea.
Era tão grande seu arrependimento e tanto torturava a própria consciência, que ao pedido feito, suplicava novo corpo físico, em qualquer situação, qualquer tipo de existência por pior que fosse: poderia encarnar-se como louco, cego, aleijado, mudo, idiota, canceroso, leproso, morfético, fosse o que fosse, pouco lhe importaria.
Submeter-se-ia com resignação, mas desejava vir novamente à Terra e para isso suplicava de joelhos. Levado seu pedido ao alto, Deus em sua infinita misericórdia, avaliou seus rogos seu desejo e atendeu-o. Dar-lhe-ia nova oportunidade para reencarnar-se, porém, dizia a permissão que o filho pedinte não necessitaria descer à Terra com defeito físico, doenças ou perturbações mentais.
Apenas uma condição era-lhe imposta: que nascesse na Terra como homem normal, mas viria como médium e comprometer-se-ia a prestar a caridade quatro horas por semana, durante trinta anos, ou seja dos vinte até a idade de cinquenta anos. Feito isso, suas dívidas estariam saldadas. Aceitou, é claro, chorando de alegria. E reencarnou-se. Até os vinte anos de idade tudo foi normal. Daí em diante desabrochou-lhe a mediunidade. Passou então a frequentar um centro espírita, trabalhando duas horas na terça-feira e duas horas no sábado. Assim foi levando placidamente sua existência e até se casou. Voltemos, agora ao plano espiritual.
Quarenta anos depois do nascimento de Joaquim, os mentores espirituais depararam um outro irmão, há pouco desencarnado, necessitando de socorros urgentes. Para tanto, tinham de recorrer a um médium na Terra, que fornecesse fluidos vibratórios materiais para sintonizar com a vibração grosseira daquele espírito em desespero a fim de ser aliviado em seus sofrimentos morais, após a necessária doutrinação. Um dos mentores, então, se lembrou do Joaquim, o irmão que fizera o requerimento pedindo para encarnar-se nas piores condições possíveis, mas que por bondade de Deus, apenas lhe fora imposta a faculdade mediúnica com a finalidade de ressarcir os males semeados. Sim, o Joaquim era a pessoa indicada, porque deveria estar em plena atividade, já até fortalecido em seu dom e ser-lhes-ia útil naquela emergência.
Consultada sua ficha cármica, comprovaram o fato. Daí, resolveram conduzir aquela alma sofredora até o médium, para que, com sua mediunidade de incorporação, ajudasse o irmão aflito e angustiado. E levaram-no até o centro onde o médium compromissado deveria estar atuando, pois era um sábado, dia de sessão.
Chegando ao centro, os mentores viram outros médiuns, menos o Joaquim…
Um deles disse apreensivo:“Talvez esteja doente… vamos até sua residência e apliquemos-lhe passes magnéticos para revitalizá-lo, neutralizando algum mal-estar de que porventura tenha sido acometido.”
Verificada a ficha do centro, anotaram-lhe o endereço e para lá rumando. Antes, porém, deixaram o espírito perturbado entregue aos outros médiuns daquele templo.
Ao chegarem ao lar do Joaquim, encontraram-no. Lá estava ele deitado em uma rede, ocioso e indiferente, tomando uma cerveja. Surpresos, os mentores espirituais ainda ouviram a esposa do médium irresponsável perguntar-lhe por que não fora ao centro, pois era dia de sessão. O marido respondeu que fazia muito calor e ele já estava cansado de ficar horas e horas a atender irmãos que compareciam ao centro para aborrecê-lo…
Um dos mentores observou: “Não foi este que pediu para reencarnar-se como louco, cego, mudo, aleijado, idiota, leproso, canceroso, morfético ou o que merecesse, desde que lhe fosse permitido reencarnar-se em novo corpo físico?!… E Deus, na sua infinita benevolência, tão somente lhe impôs a condição de servir como médium, trabalhando quatro horas por semana, dos vinte até os cinquenta anos de idade… e só isso?! … ele está agora com apenas quarenta anos de vida terrena!”
“É verdade” – afirmou o outro e ambos tristes, compadecidos do irmão médium, se retiraram. Adivinhem o que irá acontecer ao Joaquim, quando novamente regressar ao dos espíritos!
Aí está, meus irmãos, a responsabilidade do médium.
Reflitam e muito cuidado para não incidirem no mesmo erro do Joaquim.
Retirado do livro “Mediunidade e seus problemas” de Edson Orphanake.
JUCA – Jornal de Umbanda Carismática.

Riqueza


Dinheiro
Tenho a intenção de processar a revista “Fortune”, porque fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. Aparecem: o sultão do Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro.
Incluem personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga.
Mas eu não sou mencionado na revista.
E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não? Vou mostrar a vocês:
Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que conservo não sei como. Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me deu o melhor para minha; filhos maravilhosos, dos quais só recebi felicidades; e netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.
Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos. Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos, e a quem amo apesar dos meus defeitos. Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles lêem o que eu mal escrevo. Eu tenho uma casa, e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa).
Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá maçãs e que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso. Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue, e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.
Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas que para mim não haviam ocorrido nunca.
Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para apreciá-las e compaixão para irmanar-me aos irmãos que estão sofrendo. E eu tenho fé em Deus que vale pra mim amor infinito. Pode haver riquezas maiores do que a minha? Por que, então a revista “Fortune” não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta?
E você como se considera? Rico ou pobre?
Há pessoas pobres, mas tão pobres, que a única coisa que possuem é… DINHEIRO.

http://umbanda-sete.blogspot.com.br/

Julgar o passado


Passado


Só quem constrói o futuro tem o direito de julgar o passado
Em geral, quem constrói o futuro está muito ocupado para julgar o passado. Desde pequenos, quando recebemos notas na escola, nos acostumamos com avaliações e julgamentos. Ao julgarmos o passado - de uma época ou de uma pessoa -, sentimos a falsa segurança de ter fechado uma porta.
Ao mesmo tempo, todo julgamento esconde o orgulho de quem se considera dono da verdade. Também revela grande insegurança. De sua posição inatingível, aquele que julga se comporta como soberano e crítico das ações alheias.
Como a vida é um caminho para a frente, é muito mais produtivo construir o que vai acontecer do que analisar o que já passou, como nos diz Nietzsche. Além disso, as pessoas que agem estão livres de preocupações, que normalmente ocupam a cabeça das que não se movem.
Podemos observar o mundo de duas maneiras: virando a cabeça para trás ou prestando atenção no que temos à nossa frente.
E você? Que caminho prefere?
Retirado do livro Nietzsche psrs estressados de Allan PercyCréditos: JUCA - Jornal de Umbanda Carismática.

domingo, 4 de maio de 2014

Reflexão da sua vida.


O Mistério das Energias Básicas.

Nosso planeta é formado por muitos tipos compostos energéticos:
Aquáticos : água doce, salgada, mineral, etc
Minerais : minérios, metais, silicatos, etc
Ígneos : magma, carvões minera e vegetal, etc
Telúricos : areia, saibro, terra, etc
Vegetais : madeira, folhagens, gramíneas, etc
Eólicos : ar, gases, etc
Cristalinos : pedras, gemas, cristais, etc
Enfim, nosso planeta é energia condensado em estado de repouso, mas que também energiza o meio ambiente, tornando-o próprio para a vida como a conhecemos. Mas esse nosso planeta não se resume só à sua dimensão material porque temos uma contraparte espiritual, onde tudo o que existe obedece a outro padrão vibratório, ainda que tudo seja sustentado pelo mesmo tipo de magnetismo do plano material.
Se a dimensão humana tem sua base no plano material, cujo amálgama energético é gerador de uma energia classificada como sétupla, existem outras dimensões onde a base é formada de energias puras, energias estas que estão na origem do nosso “mundo” material.
Nós já comentamos sobre as sete dimensões básicas e não vamos nos repetir aqui. Apenas vamos mostrar onde as energias delas atuam na vida e evolução dos seres humanos, que estão espalhados nesse composto energético que os hindus chamam de “prana”, outros chamam de éter, energia vital, etc.
Sim, este nosso “prana” é um amálgama energético formado de muitos tipos de energias. E, ainda que na origem de tudo só exista uma energia viva que denominamos de divina, dependendo do padrão vibratório por onde Deus a emana, então vão surgindo energias puras, já passíveis de classificação como fatores, ou energias fatorais.
Nós temos sete energias básicas formando nosso composto sétuplo, as quais já comentamos diversas vezes. Vamos aqui, mostrar onde elas atuam em nossa vida:
1ª Energia Básica Cristalina: esta energia é fundamental às operações no campo religioso e é a energia básica da Fé. Ela alimenta nossos sentimentos religiosos e sustenta nossa evolução nesse sentido da Vida.
2ª Energia Básica Mineral: esta energia é fundamental às operações no campo do amor. Ela alimenta nossos sentimentos fraternais e sustenta nossas concepções, servindo-nos com seu magnetismo agregador.
3ª Energia Básica Vegetal: esta energia é fundamental às operações mentais no campo do raciocínio. Sua expansividade serve para alimentar nosso raciocínio e aguçar nossa percepção, dando leveza e agilidade à nossa mente. O intelecto absorve esta energia, pois é ela que o alimenta.
4ª Energia Básica Ígnea : esta energia é fundamental ao equilíbrio mental no campo da razão. A absorção dela é vital para que alcancemos um ponto de equilíbrio em todos os sentidos da Vida. Assim como cada substância tem seu ponto de equilíbrio, medido em graus Celsius ou Fahrenheit, nós também temos esse ponto. e dependendo da absorção dessa energia ígnea, tanto podemos acelerar quanto paralisar nosso racional, deixando de usar a razão e recorrer à emoção ou aos instintos.
5ª Energia Básica Eólica: esta energia é fundamental ao arejamento mental e ao equilíbrio emocional. Se absorvemos muito, tornamo-nos emotivos e “aéreos”, mas se absorvemos pouco, tornamo-nos densos e “bitolados”. Ela areja nossa mente, direciona nossa evolução e fortalece nossos sentimentos virtuosos.
6ª Energia Básica Telúrica: esta energia é fundamental para a estabilidade do ser. Se absorvemos muito, nos “petrificamos”, tornando-nos conservadores, ou dogmáticos; se absorvemos pouco, aí nos desestabilizamos e nos tornamos muito liberais ou libertinos.
7ª Energia Básica Aquática: esta energia é fundamental à criatividade do ser, se absorvida na quantidade certa. Se absorvemos pouco, deixamos de ser criativos; se absorvemos demais, nos tornaremos devaneadores.
Aí têm uma descrição sucinta das sete energias que formam o composto energético sétuplo que todas as pessoas absorvem aqui no plano material, energias estas que estão diluídas no “prana”, o qual é absorvido pelos nossos chacras e é internalizada e armazenada nos órgãos energéticos dos sentidos, os quais são usados em nossa operações mentais relativas aos sete sentidos da Vida, que são estes:
Sentido da Fé ou religiosidade
Sentido do Amor ou concepção
Sentido do Conhecimento ou raciocínio
Sentido da Justiça ou razão
Sentido da Lei ou ordenação
Sentido da Evolução ou saber
Sentido da Geração ou criatividade
Esses sentidos estão relacionados com os Tronos de Deus, que são manifestadores divinos dessa qualidade d’Ele.
Portanto, quando se sentirem fragilizados em algum desses sentidos, é recomendado que oferendem aos Sagrados Orixás relacionados a ele e clamem pela sua atuação direta e ostensiva, pois assim logo será alcançado um reequilíbrio energético.
Este reequilíbrio é condição básica para a elevação do ser e para a aceleração da evolução espiritual.


√ POR RUBENS SARACENI

Pantera Negra: Exu ou Caboclo ?

No rico universo místico da Umbanda, existem entidades pouco conhecidas e estudadas.  Com o tempo, é natural que algumas delas sejam esquecidas por nós. Uma delas é Pantera Negra, celebrado por uns como caboclo e por outros como exu.
Seu Pantera era mais conhecido pelos umbandistas de antigamente, quando muito terreiro era de chão batido, caboclo falava em dialeto, bradava alto e cuspia no chão.
Nas sessões ele comparecia sempre sério, voz de trovão, abraçando bem apertado o consulente que atendia. Não gostava muito de falatório, queria mesmo é trabalhar.
O tempo foi passando e raramente o encontramos nos centros, tendas e outros agrupamentos de nossa Umbanda. Aonde terá Seu Pantera ido ?
O falecido Pai Lúcio de Ogum (Lúcio Paneque, de querida memória), versado nos mistérios da esotérica Kimbanda, que se diferencia da popular Quimbanda e está distante da vulgar Magia Negra, dizia que Pantera Negra era chefe de uma Linha de Caboclos que atuam na Esquerda.
Estes caboclos, explicava Pai Lúcio, eram espíritos oriundos de tribos brasileiras muito isoladas e desconhecidas, ou de tribos das ilhas do Caribe, Venezuela, México e mesmo dos Estados Unidos.
Índios fortíssimos, arredios e alguns até brutos, as vezes gostam de marcar seus “cavalos”, ordenando que coloquem na orelha uma pequena argola e no braço uma espécie de pulseira de ferro.
Ainda costumam receber suas oferendas em encruzilhadas na mata, na vizinhança de uma grande árvore. Podem ser assentados em potes de barro com ervas especiais, terra de aldeia indígena e outros elementos secretos, que são consagradas por sacerdotes iniciadas nos mistérios destes espíritos.  Pai Lúcio ainda dizia, que a maioria dos médiuns destes caboclos são homens.
Os mais conhecidos, além de Pantera Negra, são : Caboclo Pantera Vermelha, Caboclo Jibóia, Caboclo Mata de Fogo, Caboclo Águia Valente, Caboclo Corcel Negro e Caboclo do Monte.
Alguns irmãos umbandistas conhecem estes trabalhadores astrais, com o nome de Caboclos Quimbandeiros.
Pantera Negra aparece como caboclo e exu, mesmo fora da Umbanda. Na região Sul do Brasil, principalmente, o encontramos dentro de um grupo muito especial, chamado de Caboclos Africanos. Ali ele se manifesta com o nome de Pantera Negro Africano, ao lado de Arranca-Caveira Africano, Arranca-Estrela Africano e Pai Simão Africano, entre outros.  A maneira de atuar destes entes é muito parecida com a dos Caboclos Quimbandeiros, sendo confundidos com frequência.
Alguns adeptos e médiuns que trabalham com estas entidades, acreditam que é o mesmo Pantera. Porém Seu Pantera Negra vai além. Seu culto é encontrado nos Estados Unidos e no Caribe, como tive a oportunidade de conhecer, dentro do Xamanismo Nativo, Santeria Cubana (ou Regla de Ocha) e Palo Monte.
Lembro de David Lopez, um santero de Porto Rico. Quando ele fez  dezesseis anos, sua tia, Dona Carita, o levou a uma festa de Orixá e ali ele desmaiou.  Aconselhado por um babalawo, David resolveu fazer o santo. Antes da iniciação a seu Orixá, como de costume no Caribe, foi celebrado um ritual em honra aos ancestrais (eguns).  Na celebração, incorporou em nosso amigo um espírito de índio bravíssimo…  Batia muito no seu magro peito e vociferava como se estivesse em uma guerra.  Quando foi pedido o seu nome, disse o indígena : sou Pantera Negra !
Vi o mesmo tipo de transe aqui no Brasil, em raros médiuns de Seu Pantera, como o querido irmão Mário (Malê) de Ogum, sacerdote umbandista.
No Haiti ele é conhecido como Papa Agassou (Pai Agassou) e aparece como uma negra pantera e não mais como índio.
A tradição considera que ele veio da África, da região do antigo Dahomé, onde era celebrado como totem e protetor da Casa Real. O primeiro nobre desta linhagem, contam os mais velhos, foi um homem-fera, pois tinha pai pantera e mãe humana. gassou é muito temido, pois é profundamente justo e não perdoa os fracos de caráter.  Poucos médiuns conseguem suportar a incorporação dele ou de outros espíritos da família das panteras. É necessário muita preparação, firmeza de pensamento e moralidade. Do contrário, e isto realmente acontece, o médium começa a sangrar muito durante a incorporação.
É terrível. Em outras ilhas do Caribe, também encontramos seguidores de Pantera Negra. Alguns o invocam como espírito indígena e outros como uma força africana, meio homem, meio felino.
No Brasil, ouvi as mesmas recomendações de pessoas que cultuam ou trabalham com Pantera Negra.  Pai Lúcio me disse, que os aparelhos de Seu Pantera não costumavam beber, falar demais ou serem covardes. Eram disciplinados, verdadeiros guerreiros modernos. m certos rituais de Pajelança Cabocla, podemos ouvir o bater incessante do maracá e o chamado do pajé, que canta :
YAWARA Ê !
YAWARA Ê !
HEY YAWARA,
YAWARA PIXUNA,
PIXUNA Ê, YAWARA,
YAWARA, YAWARA !
Yawara Pixuna, quer dizer Pantera Negra. Alguns traduzem como Onça Negra. O canto acima, pode ser utilizado para afastar espíritos maléficos, que fogem ao ouvir este nome mágico. Caboclo ou Exu, Pantera ou Onça, brasileiro ou estrangeiro, ele é mais um mistério que Zambi animou.  O tempo passa, mas Pantera Negra ainda persiste.
SALVE PANTERA NEGRA !
√ POR RAS AGDEABO

Gira festiva de Preto Velho.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Boa Vontade

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Boa vontade é um bem precioso e raro, pois em essência, é uma das bases para todas as realizações superiores. Trata-se de uma das qualidades que Deus delegou ao homem para sua evolução espiritual. Este bem é impelido pelo anseio de que executa. É a disposição para ajudar, mas ajudar pra valer, querendo resolver e com o intuito de colaborar com os outros e com o mundo em que vivemos.
No atual estágio evolutivo da terra, o homem se ajuda pelas mãos dos outros homens, ou seja, os benfeitores espirituais podem nos dar a inspiração, a intuição do caminho a seguir, mas será apenas com as mãos dos próprios semelhantes que poderemos implantar o reino de Deus na terra. Dependemos do amor de uns para com os outros para sobrevivermos e é através da boa vontade que este amor é materializado em nosso orbe.
Amar ao próximo não é apenas sentir compaixão e ficar paralisado comom mero expectador, é agir, e ir ao seu encontro com atitudes concretas, é fugir da inércia, é olhar o outro e a,má-lo como devemos amar a nós mesmos.
Apenas uma atitude de boa vontade diária pode mudar o destino de muitos e pricipalmente o seu. Emprestar um livro, remover um potencial perigo na via pública, ouvir um irmão com paciência e silêncio, indicar alguém para uma oportunidade profissional, conter a irritação, doar um pouco dos seus recursos materiais para instituições filantrópicas, doar de seu tempo para a caridade e cidadania. Eis alguns exemplos de como podemos transformar a teoria em prática.
A má vontade é um dos piores flagelos da humanidade. Com frequência, por descuido de nossa partem adotamos um sentimento de inoperância e preguiça diantes das coisas, às vezes, parece que somos compelidos a fazer tudo pela metade. Tudo mais ou menos.
Vivemos em um mundo atribulado e materialista, onde somos propelidos todos os dias ao egoísmo, a pensar apenas em nós mesmos, frequentemente, nos esquecemos que todos somos habitantes da terra, que nossa evolução além de individual, também é coletiva.
Precisamos deixar para sempre a antiga lei do dente por dente e olho por olho, que impera ainda hoje em nossa sociedade, para nos aproximarmos das máximas de Cristo, nosso modelo e guia.
Autor: Quito Formiga
Créditos: Jornal Aldeia de Caboclos

Conversando sobre Exu

Dizem que Exu é um homem sério, castigador, espírito sem compaixão alguma. Muitos falam que nem mesmo sentimento essas entidades apresentam. Muitos temem Exu, relacionando-o com o Diabo ou com algum monstro cavernoso que a mente humana é capaz de criar. Bem, dia desses, no campo santo de meu pai Omulu, vi algo inusitado que me fez pensar...
Um desses Exus Caveiras, que apresentam essa forma plasmada como meio de ligação a falange pertencente, chorava sobre um túmulo. Discretamente, isso devo dizer, afinal os Caveiras em sua maioria são de natureza recatada e introspectiva, mas chorava sim. Engraçado pensar nessa situação, não é mesmo? Ele chorava pelos erros do passado, chorava por uma pessoa a qual amava muito, mas não mais perto dele estava. Claro, sabia que ninguém morria, mas a saudade e o remorso apertavam fundo seu coração.
Isso acontece muito no plano espiritual, onde muitas vezes os laços são quebrados devido às diferenças vibratórias. Na verdade o laço não se quebra, apenas afrouxam-se um pouco...Mas, voltando a nossa história, fiquei a pensar muito sobre aquele tipo de visão. Pensei que ninguém acreditaria em mim caso eu contasse esse "causo", afinal, Exu é homem acima do bem e do mal, exu não tem sentimento, exu não chora...
E para aqueles então que endeusam "seu" Exu, pensando ser ele um grande guardião, espírito da mais alta elite espiritual, espírito corajoso, sem medos, violento guerreiro das trevas. Exu acaba assumindo na Umbanda um arquétipo, ou mito, tão supra-humano, que muitas vezes ele deixa de ser apenas o mais humano das linhas de Umbanda. Arquétipo esse, diga-se de passagem, muito diferente do Orixá Exu, arquétipo base para a formação do que chamamos de Linha de Esquerda dentro do ritual de Umbanda.
É, eu acho que todo Exu chora. Assim como eu e você também. Inclusive, todo mundo chora, pois todos temos dores, remorsos e tristezas. Isso é humano. Mas, voltando ao campo santo...Logo vi um Exu, vestindo uma longa capa preta, se aproximar do triste amigo Caveira. O que conversaram não sei, pois não ouvi, e muito menos dotado da faculdade de ler os pensamentos deles eu estava. Mas uma coisa é certa: Os dois saíram a gargalhar muito!
"Engraçado, como é que pode? Tava chorando até agora, e de repente sai rindo de uma hora pra outra?", pensei contrariado.
Fiquei alguns dias refletindo sobre isso, e cheguei a uma conclusão. A principal característica de um Exu é o seu bom humor. Afinal, mesmo em situações muito complicadas, eles sempre têm uma gargalhada boa para dar. Na pior situação, mesmo que de forma sarcástica, eles se divertem. Ele pode escrever certo por linhas tortas, errado por linhas retas, errado em linhas tortas ou sei lá mais o que, mas uma coisa é certa, vai escrever gargalhando.
Admiro esse aspecto de Exu. Tem gente que de tanto trabalhar com Exu torna-se sério, "faz cara de mau", vive reclamando da vida além de tornar-se um grande julgador.
A verdade é que nunca vi Exu reclamar de nada, nem julgar a ninguém. Pelo contrário, o que vejo é que Exu nos ensina a não reclamar da vida, pois tem gente que passa por coisa muito pior e o faz com honra e... Bom - humor!
Vejo também que Exu não julga ninguém, afinal, quem é ele, ou melhor, quem somos nós para julgarmos alguém? Exu ensina que o que nós muito condenamos, assim o fazemos porque isso incomoda. E saber por quê? Porque tudo que condenamos está em nós antes de estar nos outros. Por isso Exu não gosta daquele que é um falso pregador, aquele que vive dizendo como os outros devem agir, vive dizendo o que é certo, vive alertando os outros contra a vaidade, vive julgando, mas no dia a dia pouco aplica as regras que impõe para os outros. O mundo está cheio deles. E Exu sorri quando encontra um desses. Mais para frente eles serão engolidos por si mesmos. Pela própria sombra. Mas Exu não ri porque fica feliz com isso, muito pelo contrário, ele até sente por aquela pessoa. Mas já que não dá pra fazer outra coisa, o melhor é sorrir mesmo, não é?
O certo é que a linha de Exu nos colocar frente a frente com o inimigo! Mas aqui não estamos falando de nenhum "kiumba", mas sim de nós mesmos. O que eu já vi de médium perdendo a compostura quando "incorporado" com Exu não é brincadeira. Muitos colocam suas angústias pra fora, outros seus medos e inseguranças, muitos seus complexos de inferioridade. Tudo isso Exu permite, para que a pessoa perceba o quanto ela é complicada e enrolada naquele sentido da vida.
Mas dizem que o pior cego é aquele que não quer ver, e o que tem de gente que não quer enxergar os próprios defeitos...E não sobra opção a Exu, a não ser sorrir e sorrir mesmo quando nós nos damos mal.
Mas, ainda falando dos múltiplos aspectos contraditórios de Exu, pois ele é a contradição em pessoa, devo ainda relatar mais uma experiência contraditória em relação a sua natureza.
Dia desses, depois de um "pesado trabalho de esquerda", fiquei refletindo sobre algumas coisas. E sempre que assim eu faço, algo estranho acontece.
Nesse trabalho, muitos kiumbas, espíritos assediadores, obsessores, eguns, ou sei lá o nome que você queiram dar, foram recolhidos e encaminhados pelas falanges de Exu que lá estavam presentes. Sabe como é, na Umbanda, a gente não pega um livro pesado e começa a doutrinar os espíritos "desregrados da seara bendita". A gente entra com a energia, com a mediunidade e com os sentimentos bacanas, deixando o encaminhamento e "doutrinação" desses amigos mais revoltados nas mãos dos guias espirituais.
Esse trabalho foi complicado. Muitos, na expressão popular, estavam "demandando o grupo", ou seja, estavam perseguindo nosso grupo de trabalho e assistência espiritual, pois tinham objetivos e finalidades diversas e opostas. Ninguém tinha arriado um ebó na encruzilhada contra a gente, eram atuações vindas de inteligências opostas ao trabalho proposto e atraídas pelas "brechas vibratórias" de nossos próprios sentimentos e pensamentos. Mas que na Umbanda ainda acha-se que tudo que acontece de errado é culpa de algum ebó na encruzilhada, isso é verdade...
Bom, o que sei é que alguns dias depois, durante a noite, enquanto eu dormia, alguém me levou até um estranho lugar. Eu estava projetado, desdobrado, desprendido do corpo físico, ou qualquer outro nome que vocês queiram dar. Fenômeno esse muito estudado por diversas culturas espiritualistas do mundo. Fenômeno esse muito comum também dentro da Umbanda, mas pouco estudado, afinal, muitos pensam que Umbanda é "só incorporar" os guias e de preferência de forma inconsciente! Sei, sei...Olha Exu gargalhando novamente!
Nesse local, um monte de espíritos eram levados até a mim e eu projetava energias de cura em relação a eles. Vi várias pessoas projetadas no ambiente, inclusive gente muito próxima, do grupo. Alguns pouco conscientes, outros ainda nada conscientes. Mas, o importante era e energia mais densa que vinha pelo cordão de prata e que auxiliava no tratamento daqueles irmãos sofredores.
Por quanto tempo fiquei lá não sei, afinal a noção de tempo e espaço é muito diferente no plano astral. O que sei é que em um certo momento um Exu, que tomava conta do ambiente, veio conversar comigo:
- Tá vendo quanto espírito a gente tem "pego" daquelas reuniões que vocês fazem? - perguntou o amigo Exu.
- Nossa, quantos, muito mais do que eu podia imaginar.
- E isso não é nada, comparado aos milhares que chegam, diariamente, "nas muitas casas" dos guardiões da Umbanda espalhados pelo Brasil.
- Poxa, mas isso é sinal que o pessoal anda trabalhando bem, não é mesmo?
- Hahahaha, mas você é um idiota mesmo, né? Desde quando fazer isso é um bom trabalho? Milhares chegam, mas sabem quantos saem daqui? Poucos! A maioria também para servir as falanges de Exu. O grande problema é que os médiuns de Umbanda, pouco ou nada cuidam dos que aqui ficam precisando de ajuda. Nossa missão aqui é transformar os antigos valores desses espíritos, mesmo que seja através da dor. Mas, depois disso, muitos precisam ser curados, tratados. E dessa parte os umbandistas não querem nem saber! Ah, ainda eu pego o maldito que disseminou que Umbanda só serve para cortar magias negras e resolver dificuldades materiais. Vocês adoram falar sobre amor e caridade, mas quase ninguém se importa em vir até aqui cuidar desses que vocês mesmos mandaram para cá.
- É que muitos não sabem como fazer isso amigo! - tentei eu defender os umbandistas.
- Claro que não sabem! Só se preocupam em "cortar demandas", combater feitiços e destruir "demônios das trevas". Grandes guerreiros! Mas nada fazem sem os vossos Exus, parecendo mais grandes bebês chorões querendo brincar de guerra! Lembre - se bem. Todos que a mão esquerda derrubar terão que subir pela mão direita. Essa é a Lei. Comecem a se conscientizar que ninguém aqui gosta de ver o sofrimento alheio. Comecem a ter uma visão mais ampla do universo espiritual e da forma como a umbanda relaciona-se com ele. Dedique-se mais a esses que são encaminhados nos trabalhos espirituais. Ore por eles, faça uma vibração por eles, tratem-os com a luz das velas e do coração. Busquem o conhecimento e forma de auxiliá-los. Quero ver se amanhã, quando você não agüentar mais o chicote, e não tiver ninguém para te estender a mão, você vai achar tão "glamuroso" esse ciclo infernal de demandas, perseguições e magias negativas. Isso aqui é só sujeira, ódio, desgraça e tristeza. Poucos têm coragem de pousar os olhos sobre essas paragens sombrias.
- É, isso é verdade. Muitos falam, mas poucos realmente conhecem a verdadeira situação do astral inferior a qual a Umbanda e toda a humanidade está ligada, não é mesmo?
- Hahaha, até que você não é tão idiota! Olha, vou dar um jeito de você lembrar essa conversa ao acordar. Vê se escreve isso pros seus amigos umbandistas! E para de reclamar da vida. Quer melhorar? Trabalhe mais!
- Tá certo seu Exu Ganga. Só mais uma coisa. Um dia desses li num livro que Ganga é uma falange relacionada ao "lixo". Mas você apresenta - se como um negro e ao julgar por esses facões nas vossas mãos, acho que nada tem a ver com o lixo...
- Lixo é esse livro que você andou lendo! Ganga é uma corruptela do termo Nganga, do tronco lingüístico bantu. Quer dizer "o mestre", aquele que domina algo. O termo foi usado por muitos, desde sacerdotes até mestres na arte da caça, da guerra, da magia, etc. Algo parecido com o Kimbanda, mas esse, mais relacionado diretamente a cura e a prática de Mbanda. A linha de Exus Ganga é formada por antigos sacerdotes e guerreiros negros. É isso! Vê se queima a porcaria do livro onde você leu essa besteira de "lixo"...
Pouca coisa lembro depois disso. Despertei no corpo físico, era madrugada e não fui dormir mais. Agora estou acabando de escrever esse texto, onde juntei duas experiências em relação a Exu. Não sei porque fiz isso, talvez pelo caráter desmistificador da sua figura.
Pra falar a verdade, essas duas estórias são bem diferentes. Primeiro um Exu que chora, sorri e ensina o bom humor, o auto-conhecimento e o não julgamento. Depois um Exu que preocupa-se com o "pessoal lá de baixo". Diferente, principalmente daquilo que estamos acostumados a ouvir dentro do meio umbandista.
Talvez Exu esteja mudando. Talvez nós, médiuns e umbandistas, estejamos mudando. Talvez a umbanda está mudando.
Ou, quem sabe, a Umbanda e Exu sempre foram assim, nós que não compreendemos direito aquilo que está muito perto de nós, mas é tão diferente ao mesmo tempo.
Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver...

Autor: Fernando Sepe

Em homenagem a gira de pretos-velhos

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Em homenagem a gira de pretos-velhos dessa semana, segue um texto muito bom de Alexandre Cumino!
"PRETO-VELHO" NA CULTURA BRASILEIRA E NA UMBANDA
Pai Antônio foi o primeiro preto-velho a se manifestar na Religião de Umbanda em seu médium Zélio Fernandino de Morais onde se estabeleceu a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Assim, ele abriu esta "linha" para nossa religião, introduzindo o uso do cachimbo, guias e o culto aos Orixás.
O "Preto-velho" está ligado à cultura religiosa Afro Brasileira em geral e à Umbanda de forma específica, pois dentro da Religião Umbandista este termo identifica um dos elementos formadores de sua liturgia, representa uma "linha de trabalho", uma "falange de espíritos", todo um grupo de mentores espirituais que se apresentam como negros anciões, ex-escravos, conhecedores dos Orixás Africanos.
São trabalhadores da espiritualidade, com características próprias e coletivas, que valorizam o grupo em detrimento do ego pessoal, ou seja, são simplesmente pretos e pretas velhas como Pai João e Vó Maria, por exemplo.
Milhares de Pais João e de Avós Maria, o que mostra um trabalho despersonalizado do elemento individual valorizando o elemento coletivo identificado pelo termo genérico "preto-velho". Muitos até dizem "nem tão preto e nem tão velho" ainda assim "preto velho fulano de tal". A falta de informação é a mãe do preconceito, e, no caso do "preto-velho", muitos que são leigos da cultura religiosa Umbandista ou de origem africana desconhecem valor do "preto-velho" dentro das mesmas.
Preto é Cor e Negro é Raça, logo o termo "preto-velho" torna-se característico e com sentido apenas dentro de um contexto, já que fora de tal contexto o termo de uso amplo e irrestrito seria "Negro Velho", "Negro Ancião" ou ainda "Negro de idade avançada" para identificar o homem da raça negra que encontra-se já na "terceira idade" (a melhor idade). Por conta disso alguns sentem-se desconfortáveis em utilizar um termo que à primeira vista pode parecer desrespeitoso ao citar um amável senhor negro, já com suas madeixas brancas, cachimbo e sorriso fácil, por trás do olhar de homem sofrido, que na humildade da subjugação forçada e escrava encontrou a liberdade do espírito sobre a alma, através da sabedoria vinda da Mãe África, na figura de nossos Orixás, vindo ao encontro da imagem e resignação de nosso senhor Jesus Cristo.
Alguns preferem chamá-los apenas de "Pais Velhos" o que é bonito ao ressaltar a paternidade, mas ao mesmo tempo oculta a raça que no caso é motivo de orgulho. São eles que souberam passar por uma vida de escravidão com honra e nobreza de caráter, mais um motivo de orgulho em se auto-afirmar "nêgo véio" e ex-escravo; talvez assim se mantenham para que nunca nos esqueçamos que em qualquer situação temos ainda oportunidade de evoluir. Quanto mais adversa maior a oportunidade de dar o testemunho de nossa fé.
PRETO-VELHO23pO "preto-velho" é um ícone da Umbanda, resumindo em si boa parte da filosofia umbandista. Assim, os espíritos desencarnados de ex-escravos se identificam e muitos outros que não foram escravos, nesta condição, assim se apresentam também em homenagem a eles, por tê-los como Mestres no astral.
No imaginário popular, por falta de informação ou por má fé de alguns formadores de opinião, a imagem do "preto-velho" pode estar associada por alguns a uma visão preconceituosa, há ainda os que se assustam "com estas coisas" pois não sabem que a Umbanda é uma religião e como tal tem a única proposta de nos religar a Deus, manifestando o espírito para a caridade e desenvolvendo o sentimento de amor ao próximo.
Não existe uma Umbanda "boa" e uma Umbanda "ruim", existe sim única e exclusivamente uma única Umbanda que faz o bem, caso contrário não é Umbanda e assim é com os "Preto-velhos", todos fazem o bem sem olhar a quem, caso contrário não é de fato um "preto-velho", pode ser alguém disfarçado de "velho-negro", o "preto velho" trabalha única e exclusivamente para a caridade espiritual.
São espíritos que se apresentam desta forma e que sabem que em essência não temos raça nem cor, a cada encarnação, temos uma experiência diferente. Os pretos velhos trazem consigo o "mistério ancião", pois não basta ter a forma de um velho, antes, precisam ser espíritos amadurecidos e reconhecidos como irmãos mais velhos na senda evolutiva.
Quanto menos valor se dá a forma, mais valor se dá à mensagem, e "preto-velho" fala devagar, bem baixinho; quando assim se pronuncia, todos se aquietam para ouví-lo, parece-nos ouvir na língua Yorubá a palavra "Atotô", saudação a Obaluayê que quer dizer exatamente isso: "silêncio".
Nas culturas antigas o "velho" era sempre respeitado e ouvido como fonte viva do conhecimento ancestral. Hoje ainda vemos este costume nas culturas indígenas e ciganas. Algumas tradições religiosas mantêm esta postura frente o sacerdote mais velho, trata-se de uma herança cultural religiosa tão antiga quanto nossa memória ou nossa história pode ir buscar, tão antigos também são alguns dos pretos velhos que se manifestam na Umbanda.
Muitos já estão fora do ciclo reencarnacionista, estão libertos do karma, já desvendaram o manto da ilusão da carne que nos cobre com paixões e apegos que inexoravelmente ficarão para trás no caminho evolutivo. Por tudo isso e muito mais, no dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos eu os saúdo:
"Salve os Pretos Velhos! Salve as Pretas Velhas! Adorei as Almas! Salve nosso Amado Pai Obaluayê, Atotô meu Pai! Salve nossa Amada Mãe Nanã Buroquê, Saluba Nana!"
Usamos para eles velas brancas ou bicolores, metade preta e metade branca, tomam café e fumam cachimbo.
Autor: Alexandre Cumino

O Anjo da Guarda te aguarda …

Aproveitando a última postagem, com alguns ensinamentos sobre o anjo da guarda, vou postar um poema, muito bonito sobre esse protetor que muitas vezes nos salva das piores situações.

Guardian Angel
O Anjo da Guarda te aguarda
Pra quê tanta briga? Pra quê tanta guerra?
Abandona tua velha tarde ensangüentada,
Larga tua espingarda carregada, guarda tua faca e tua língua afiada;
Desarma tua alma na beira da estrada, amado filho da Terra!

Dentro do coração é onde acontece a verdadeira batalha:
De um lado, a sombra humana feroz, egoísta e falha,
De outro, a Luz Divina em forma de Anjo, que jamais erra:
Este Anjo é teu Anjo de Guarda, amado filho da Terra!

Anjo sábio e bom pousado no alto da serra
Aquecido ao fogo do teu chacra cardíaco, ele pacientemente espera
Na mão direita, uma espada de fogo azulado e vermelho
Na outra, um escudo reluzente – que na verdade é um espelho.

No momento do combate final, terás uma supresa?
A ilusória sombra humana se dissolverá na luz do Sol nascente,
Frente a frente com o Anjo, verás refletida tua Verdadeira Natureza;

Atônito, perguntarás ao Anjo da Guarda:
”Quem é  esse, refletido no escudo?”
Ao que ele responderá:
”Esse Anjo é você. Sempre foi você. Agora somos Um!”
Enfim, conhecerás a Paz…
unido aos Orixás sorrirás, consciente de tudo!”

Poema mediúnico ditado por Pai Jacó de Angola a Vanderlei Alves (Anhangassú), médium do Templo de Umbanda Caboclo Estrela do Mar em 13/08/2010, às 9h25.

Anjo da Guarda


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Você já ouviu falar em Anjo da Guarda. Provavelmente sim, pois Anjo da Guarda é quase um dito popular.
Quem nunca se deparou com o comentário sobre a proteção de um Anjo da Guarda forte, quando em um terrível acidente automobilístico, por exemplo, todos saem ilesos como se um milagre houvesse acontecido.
Não importa a crença da pessoa, Anjo da Guarda é um protetor que parece nos acompanhar por toda a vida desde o nosso nascimento.
Mas como lidamos com este mistério da vida? O que podemos fazer para que o nosso Anjo da Guarda esteja sempre próximo e nos protegendo?
Se a maioria das pessoas acredita no poder de proteção do Anjo da Guarda, quais cuidados que podemos tomar para que este mistério esteja presente e atuante em nossa vida?
Você reza para seu Anjo da Guarda, pede-lhe proteção no seu caminhar, na sua vida, no dia a dia?
Mas se cada um tem um Anjo da Guarda protetor porque muitas vezes temos a sensação de que alguns são mais protegidos do que outros? Neste caso, tem haver com o seu merecimento e principalmente em como você “alimenta” (cuida) do seu Anjo da Guarda.
Portanto, para que tenhamos nosso Anjo da Guarda próximo e alerta sobre nós é preciso iluminá-lo, para que este permaneça o mais próximo de nós possível. E iluminá-lo é muito simples e não exigirá quantias exorbitantes de tempo e dinheiro, basta uma vela de sete dias branca acesa e o pedido para que seu anjo da guarda o proteja.
Aos umbandistas, em especial, esta é uma das primeiras orientações que se recebe do pai-de-santo, sacerdote ou dirigente.
Autor: Marcos Babosa
Créditos: JUS – Jornal
de Umbanda Sagrada

Caboclo na cultura brasileira e na Umbanda

O Caboclo das Sete Encruzilhadas, incorporado no seu médium Zélio Fernandino de Moraes, foi a primeira entidade a se manifestar na Umbanda, fundando a religião. Neste dia, foi observado que ele estava com vestes de sacerdote católico e, plasmado como tal, quando questionando por um médium clarividente sobre esta condição, o caboclo afirmou ter sido, em uma de suas encarnações o Frei Gabriel de Malagrida e que na última encarnação, havia tido a oportunidade de encarnar como um índio brasileiro, e que era como índio, que ele queria ser identificado.
Assim, em sua primeira manifestação de Umbanda, a entidade se manifestou como caboclo e ao mesmo tempo ficou claro que desta forma se apresentou por opção, e não por falta de opção. Identificou-se como um espírito muito esclarecido e que facilmente seria reconhecido como autoridade no mundo material, mas preferiu a identificação humilde e despersonalizada de "caboclo brasileiro". Surge então o questionamento do que realmente quer dizer a palavra Caboclo em nossa cultura, e na Umbanda de forma mais específica. O dicionário Aurélio, nos diz que Caboclo é o 1. Mestiço de branco com índio; cariboca, curiboca. 2. Antiga designação do indígena. 3. Caboclo de cor acobreada e cabelos lisos; caburé. 4. Sertanejo.
Um dos maiores pesquisadores, se não o maior, de nossa cultura, folclore e suas influências, Luiz da Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, onde aparece o verbete Caboco (assim mesmo sem o l de caboclo), descreve:
O indígena, o nativo, o natural; mestiço de branco com Índia; mulato acobreado, com cabelo corrido. Morais fazia provir de cobre, cor de cobre, avermelhado. Diz-se comumente do habitante dos sertões, caboclo do interior, terra de caboclos, desconfiado com caboclos. Foi vocábulo injurioso e El-Rei Dom José de Portugal, pelo alvará de 4 de abril de 1755, mandava expulsar das vilas os que chamassem os filhos das indígenas de caboclos: "Proíbo que os ditos meus vassalos casados com as índias ou seus descendentes sejam tratados com o nome de cabouçolos, ou outro semelhante que possa ser injurioso." Macedo Soares registra a sinomínia tradicional do caboclo: caburé, cabo-verde, cabra, cafuz, curiboca, cariboca, mameluco, tapuia, matuto, restingueiro, caipira.
Da antiga denominação de caboclo aos mestiços avermelhados ainda há a imagem da cor maribondo caboclo, boi caboclo, formiga cabocla, pomba cabocla, todas com tonalidades vermelhas ou tijolo. Era até fins do séc. XVIII, o sinônimo oficial de indígena. Hoje indica o mestiço e mesmo o popular, um caboclo da terra. Discute-se ainda a origem do vocábulo, indígena ou africano. Folclore: Gustavo Barroso (Ao som da Viola, Rio de Janeiro, 1921) fixou o "Ciclo dos Caboclos" (403-419) com documentário poético e anedotal. O caboclo no folclore brasileiro é o tipo imbecil, crédulo, perdendo todas as apostas e sendo imcapaz de uma resposta feliz ou de um ato louvável. Gustavo Barroso lembra que essa literatura humilhante é toda de origem branca, destinada a justificar a subalternidade do caboclo e o tratamento humilhante que lhe davam.
Os episódios vem, em boa percentagem de fontes clássicas, com a mera substituição da vitima escolhida. O caboclo é o Manuel tolo, o Juan tonto europeu, aclimatado no continente americano com o nome de João bobo, uma espécie de sábio de Gothan. Há muitas histórias em louvor do caboclo, sua inteligência, registradas no citado livro, assim como no de José Carvalho (um matuto cearense e o caboclo do Pará, 9-15, Belém, 1930). Namoro de caboclo é aquele em que a namorada ignora quem é seu apaixonado. Num outro episódio entre o caboclo, o padre e o estudante, repete-se o motivo do melhor sonho (Mt-1626, de Aarne-Thompson).
Quem tiver o mais bonito sonho comerá o queijo. Pela manhã o padre descreveu a ascensão para o Céu; o estudante sonhara com o próprio paraíso. O caboclo informou que, vendo um dentro do Céu e outro já perto, comera o queijo, porque ambos não mais precisariam. E tinha comido mesmo (Gustavo Barroso, 413-414). É a fábula XVII do Displina Cléricalis, de Padre Afonso (1062-1110), entre dois burgueses e um camponês, a caminho de Meca. Um dos divulgadores da novelística italiana foi Geraldo Sintio (um romano, numero 3 do Ecatommt), que a diz sucedida em Roma, no ano de 1527, com um filósofo, um astrólogo e um soldado. O tema está em quase todos os idiomas, formas e literaturas, dispensando bibliografia ilustradora.
O caboclo aceitou, com a sujeição física, essa popularidade pejorativa para oficializar a inferioridade de seu estado (Luiz da Câmara Cascudo, 30 Estória Brasileiras, "O Preço do Sonho"), 30-32, Porto, 1955. Devíamos escrever Caboco, como todos pronunciam no Brasil, e não Caboclo, convencional e meramente letrado. Caboco vem de Caá, Mato, Monte, Selva; e Boc, Retirado, Saído, Provindo, Oriundo do Mato, exata e fiel imagem da impressão popular, valendo o nativo, o indígena, caboco´bravo, o roceiro, o matuto´bruto, chaboqueiro, bronco, creduo, mas, vez por outra, astuto, finório, disfarçado, zombeteiro. Cabôco, e a pronuncia nacional, mesmo para os letrados que escrevem "caboclo", Caá-Boc, tirado ou procedente do mato, registra Mestre Thedóro Sampaio.
Depois de toda esta explicação de Câmara Cascudo, fica claro o que quer dizer a figura do caboclo em nossa cultura. Com a dizimação do índio em nosso convívio, o tempo vai dissociando sua imagem da palavra, e cada vez mais o vocábulo caboclo vai se tornando na figura de linguagem um homem simples.
Os espíritos que militam na Umbanda, se dividem em falanges ou povos, sejam de caboclos ou de pretos-velhos, baianos, boiadeiros, marinheiros, crianças, ciganos, exu e pomba-gira.
Vemos uma identificação despersonalizada de ego que caracteriza aqueles que estão acima da identidade individual, ou seja, as entidades na maioria das vezes não usam seus nomes de batismo, estando aquém de qualquer identificação, transcenderam a individualidade. São muitos espíritos que usam o mesmo nome como: Pena Branca, Pena Verde, Pena Roxa, Pena Vermelha, Pena Dourada, Flexa Branca, Folha Branca, Sete Flexas, Sete Penas, Sete Folhas, Sete Montanhas, Ventania, Rompe Mato, Urubatão, Ubirajara, Aimoré, Tupinambá, e outros.
Chegamos até a encontrar num mesmo terreiros dois ou mais caboclos que usam o mesmo nome, pois não é seu nome como indivíduo, e sim, um nome que identifica seu trabalho e a força que o rege.
Por exemplo, Pena Branca é de Oxossi e Oxalá; Pena Dourada é de Oxossi e Oxum; Sete Montanhas de Xangô; Ubirajara de Oxossi e Ogum, etc.
Caboclo é um Mistério na Umbanda, uma linha de trabalho, uma falange, um grau, o identificador de entidades que trabalham nesta vibração que está ligada ao Orixá Oxossi, o Orixá das Matas.
Existem caboclos de todos Orixás e todos têm algo em comum que os identificam como tal presentes em sua forma de apresentação.
Nossa essência, nosso, espírito, não têm cor, nem raça. Muitos podem entender o que isto quer dizer, mas viver assim só é possível para aqueles que já se desapegaram da matéria e de sua individualidade, não vivem ou trabalham apenas para si e sim para o todo.
Assim são os Caboclos. Poderíamos escrever páginas e páginas falando sobre o Caboclo na Umbanda, mas, talvez o mais importante, é que eles não sejam subestimados, pois apenas uma coisa é certeza: Embora não pareça, todos eles são muito mais que caboclos. Fato que apenas não é visível ao leigo, pois como caboclos, foi apenas a forma que eles escolheram para se manifestar.

Autor: Alexandre Cumino

Pontos Cantados



Um dos fundamentos de vital importância para a harmonização e eficácia dos trabalhos dentro de um templo umbandista é, sem dúvida, o que diz respeito aos Pontos Cantados (curimbas). Em tempos imemoriais, o homem materialista e ligado quase que exclusivamente aos aspectos físicos que o circundavam, tomado de profundo vazio consciencioso, resolveu traçar caminhos que o fizesse resgatar a verdadeira finalidade de sua existência. Alicerçado em princípios aceitáveis, passou a buscar o elo de ligação para com o Criador, a fim de se redimir do tempo perdido e desvirtuado para outras ações.

Uma das formas encontradas para a reaproximação com o Divino foi a música, onde se exprimiam o respeito, a obediência e o amor ao Pai Maior. Desta forma, os cânticos tornaram-se um atributo socio-religioso, comum a todas as religiões, onde cada uma delas, com suas características próprias, exteriorizavam sua adoração, devoção e servidão aos desígnios do Plano Astral Superior.
A Umbanda, nossa querida religião anunciada no plano físico em 15 de novembro de 1908, em Neves, Niterói – RJ, pelo espírito que se nominou Caboclo das Sete Encruzilhadas, também recepcionou este processo místico, mítico e religioso da expressão humana. Nos vários terreiros espalhados pelas Terras de Pindorama (nome indígena do Brasil), observamos com fé, respeito e alegria os vários pontos cantados ou curimbas, como queiram, sendo utilizados em labores de cunho religioso ou magístico.
Em realidade os Pontos Cantados são verdadeiros mantras, preces, rogativas, que dinamizam forças da natureza e nos fazem entrar em contato íntimo com as Potências Espirituais que nos regem. Existe toda uma magia e ciência por trás das curimbas que, se entoadas com conhecimento, amor, fé e racionalidade, provocam, através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre presentes em nossas vidas.
A Umbanda é capitaneada por sete Forças Cósmicas Inteligentes, que são as principais e que, por influência dos Pretos-Velhos, receberam os nomes de Orixás, sendo que a irradiação ou linha de Oxalá , precede todas as demais, razão pela qual as comanda. Todas estas irradiações têm seus pontos cantados próprios, com palavras-chave específicas e a justaposição de termos magísticos, de forma que o responsável pela curimba deve ter conhecimento do fundamento esotérico (oculto) da canção.
Temos visto em algumas ocasiões determinadas pessoas até com boas intenções, mas sem conhecimento, “puxarem” pontos em horas não apropriadas e sem nenhuma afinidade com o trabalho ora realizado. Tal fato pode causar transtornos à eficácia do que está sendo feito, uma vez que podem atrair forças não afetas àquele labor, ou ainda despertar energias contrárias ao trabalho espiritual.
Quanto à origem, os pontos cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados pela espiritualidade), e Pontos terrenos (elaborado por pessoas diretamente) Os Pontos de Raiz ou espirituais jamais podem ser modificados, pois constituem-se em termos harmoniometricamente organizados, ou seja, com palavras colocadas em correlação exata, que fazem abrir determinados canais de interação físico-astral, direcionando forças para os mais diversos fins.
No que concerne aos Pontos cantados terrenos, a Espiritualidade os aceita, desde que pautados na razão, bom senso, fé e amor de quem os compõe.
Às vezes, porém, nos deparamos com algumas curimbas terrenas que nos causam verdadeiro espanto, quando não tristeza. São composições “sem pé nem cabeça”, destituídas de fundamento, com frases ingênuas e sem nenhum nexo, chegando algumas a denegrirem os reais valores Umbandistas.
E quanto ao plágio (cópia adulterada), leitores ? Aí é que a questão se agrava. É que alguns “espertos” andam a visitar terreiros, ouvindo e decorando pontos pertencentes àqueles templos. Voltam à tenda onde trabalham ou dirigem, e começam a cantar os pontos aprendidos, com algumas alterações, para disfarçar é claro, e dizem a terceiros que as curimbas são de sua autoria ou de suas “entidades”. Além de modificarem pontos que podem ser de raiz, estão sujeitos a serem desmascarados quando alguém toma conhecimento da origem e da real letra das curimbas.
Quanto à finalidade, os Pontos Cantados podem ser:
Pontos de chegada e partida; Pontos de vibração; Pontos de defumação; Pontos de descarrego; Pontos de fluidificação; Pontos contra demandas; Ponto de abertura e fechamento de trabalhos; Pontos de firmeza; Pontos de doutrinação; Pontos de segurança ou proteção (são cantados antes dos de firmeza); Pontos de cruzamento de linhas; Pontos de cruzamento de falanges; Pontos de cruzamento de terreiro; Pontos de consagração do Congá e outros mais, consoante à finalidade a que se destinam.
Vimos pelo acima exposto que as curimbas, por serem de grande importância e fundamento, devem ser alvo de todo o cuidado, respeito e atenção por parte daqueles que as utilizam, sendo ferramenta poderosa de auxílio aos Pretos-Velhos, Caboclos, Exus e demais espíritos que atuam dentro da Corrente Astral de Umbanda.

√ POR JORNAL DE UMBANDA SAGRADA