Texto escrito originalmente por Cussa Mitre
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TV ligada, o fone com a música rolando, o computador ligado. Facebook,
Twitter, e-mail, Youtube. O cachorro latindo. A vizinha gritando com a
filha, que está correndo. O cheiro de um bife sendo frito entrando pela
janela. Seu pai/mãe/esposa/filho que te pede algo.
São muitos os possíveis "motivos" para não darmos atenção para a nossa
espiritualidade. Muitos são apresentados, como alguns dos acima. Mas até
onde você é capaz de resistir as situações adversas para se dedicar a
pessoa mais importante no mundo: você próprio?
Eu mesmo sou um exemplo disso: durante muito tempo acabei me afastando
da minha espiritualidade. Os motivos que eu apresentei foram os mais
variados. Era um compromisso inadiável, e eu faço o exercício outra
hora. Chegava em casa do compromisso muito "cansado", e adiava o
exercício. No dia seguinte, nem me lembrava que havia adiado o
exercício.
Mas o Universo sempre tem um plano, e nós temos nosso livre arbítrio.
Durante muito tempo eu ouvi um ditado: "Quem quer, dá um jeito. Quem não
quer, arruma uma desculpa". E comecei a pensar sobre isso na minha vida
espiritual. E parei para analisar minhas próprias atitudes. Sobre como
eu encarava os meus afazeres profanos e minha vida sagrada.
Percebi logo de cara sobre como o meu trabalho possuía uma importância
absurda em minha vida. Não que eu ache que não devemos dar valor ao
trabalho. Mas quantas vezes eu simplesmente virei noites e noites por
ter que cumprir os prazos? Várias. Quantas noites eu fiz o mesmo para
executar os meus exercícios? NUNCA.
Depois fui analisar minha "diversão". Percebi que não importava o quão
cansado eu chegava em casa, sempre havia um ânimo para jogar um
video-game, entrar no Facebook, etc. Mas nunca havia ânimo para sentar e
praticar meus estudos.
Eu poderia citar várias coisas, mas acho que já consegui passar a
mensagem e demonstrar o meu ponto: em grande parte do tempo, pela
maioria das pessoas, o sagrado tem menos importância que o profano.
Nos últimos dias, várias coisas aconteceram em minha vida que me fizeram
parar e analisar cuidadosamente minha vida. Várias conversas, situações
e ideias me levaram a ponderar a importância que eu dava para minha
vida.
Fui reler uma monografia de uma das ordens que faço parte e ela fala
sobre escrever um texto pensando o que seria dito sobre você quando você
morresse. E pensei: não há nada a dizer sobre mim! Foi um cara que fez
ótimos trabalhos, mas que alguém irá dar continuidade. Teve uma vida
feliz com a mulher. Não ligava muito para família. Achava que era
plenamente feliz.
Errado. Sempre há algo que sentimos incompleto. Isto porque nosso
sagrado sempre anseia por crescer. Quando estamos estagnados, além de
não crescer, acabamos por "diminuir".
Pare e repense em todas as suas prioridades, sobre o que você realmente
julga importante. Sobre como sua vida deve ser regida. E lembrem-se: ser
um mago é saber viver uma vida Sagrada com algumas atividades profanas,
e não o contrário.
Ah! E só para exemplificar o que eu falei sobre o ditado: há algum tempo
eu estava tentando trazer os cursos do Marcelo Del Debbio para o Rio.
Minha ideia era trazer principalmente o curso de runas. Falei com
algumas pessoas que estudam Odinismo / Asatru. Ouvi muitas respostas do
tipo: "Já sei o suficiente", "Não acho que eu tenha alguma coisa para
aprender", "Já li livros suficientes", "Não acho que eu vá aprender
alguma coisa", "Acho muito perigoso mexer com runas". Pois bem, vários
deram suas desculpas. Eu dei um jeito: comprei uma passagem e fui para
São Paulo fazer o curso. E posso afirmar: para todos àqueles que
arrumaram várias desculpas, perderam. Perderam a oportunidade de
crescer. Conhecimento nunca é demais.
"O Sol está sempre brilhando. Mesmo quando as nuvens estão densas, ele
ainda está lá. Não importa se você não consegue mais ver o seu próprio
brilho interior. Isso são apenas algumas nuvens que o encobriu. E apenas
você tem o sopro sagrado para afastá-las e ver o explendor da beleza
interior."

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