A vida é repleta de sinais claros sobre como devemos nos portar
e agir para evoluir. Mas vejo pessoas questionando qual o seu verdadeiro
caminho, o que devem fazer para cumprir sua missão, aquilo que foi acordado no
astral. E a resposta sempre é muito simples: VIVER de forma natural e
tranqüila, compreendendo quais são nossas reais conquistas, já que somos
eternos.
Geralmente, quando caminhamos rumo a nossa evolução estamos
tranqüilos e conscientes de que nunca estamos sós. Podemos ter muitos afazeres,
mas os realizamos alegre e calmamente. Alguns ‘adultos’ perderam o prazer de
viver, pois acreditam que somente sofrendo estão trabalhando. Acham que a
maturidade é penosa, que todas as crenças e aprendizados de sua infância e
juventude eram ilusões inúteis. Estão em desentendimento com eles mesmos.
A evolução é como uma escada, cada degrau apoia o próximo. Como
chegar ao Céu sem valorizar o mais simples degrau próximo a Terra? Impossível.
Esta estrutura é interna ao nosso Ser. Em cada fase de nossa vida aprendemos o
que é necessário para fortificar nossos degraus, solidificando assim nossa
escada. O que aconteceria se a cada nova fase nós destruíssemos os degraus
anteriores?
O que passamos (em uma só experiência) neste plano material:
encarnamos, nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e desencarnamos,
este é o ciclo mais utilizado. Vamos falar sobre cada fase natural (bem
resumido):
• Encarnar: nosso espírito é preparado para acoplar em um corpo
físico, que nos foi gerado por um pai e uma mãe, percebemos o que nos rodeia,
mas como nossa consciência foi nublada não compreendemos, apenas absorvemos;
• Nascer: após algum tempo, quando já estamos devidamente
harmonizados com nosso novo corpo, nascemos. Muitas sensações, contato com o
mundo denso e nossa semi-consciência vai adaptando nossos sentidos, buscando
interpretar o que nos cerca. Somos instintivos;
• Crescer: num primeiro momento somente conseguimos assimilar
aquilo que é concreto, que é real aos cinco sentidos básicos (tato, olfato,
paladar, audição e visão), ainda estamos aprendendo a lidar com nosso corpo.
Temos uma percepção de quais sensações nos agradam e quais não. Esta dualidade
vai aprimorando nossos sentimentos. Somos intuitivos. Em seguida passamos a
perceber as emoções; descobrimos que entre os extremos existem nuances (ex.:
entre o branco e o preto, existem muitos tons de cinza; entre o grande e o pequeno…;
entre o doce e o amargo…, etc.). Nos tornamos sensitivos, e começamos a
perceber o sentimento daqueles que nos cercam, conseguimos interagir
socialmente de forma mais clara, e com muita ingenuidade. Até aqui somos
guiados pelos, teoricamente, mais experientes;
• Amadurecer: trilhamos nossos caminhos, tentando harmonizar os
nossos sentidos com os daqueles que nos cercam. Não somos mais totalmente
guiados, e ter que descobrir o próprio caminho gera grandes incertezas: “qual a
melhor decisão?”, “será que estou correto?”. Quando alguém não compreende
nossas dúvidas, ficamos irritados, e até revoltados. Mas a vida continua e
vamos aprendendo a lidar com as decisões. Nos fortificamos. Chegamos a um ponto
em que acreditamos poder decidir pelos outros, mas isto faz parte de nossa
evolução, ainda não sabemos tudo o que precisamos. A vida bem ‘vivida’ nos
proporcionará. Este é o momento de ter a experiência de ser pai ou mãe e
aprender a “amar ao próximo como a si mesmo”, respeitando o livre arbítrio do
outro, função primordial da criação. E vem a flexibilidade;
• Envelhecer: a memória revisita nossos caminhos, nossas
decisões e passamos a compreender melhor nossas trajetórias. Nossas
consciências ganham um grande impulso. Isto ocorre quando continuamos percebendo
nosso instinto, intuição, sentimento e força, com flexibilidade e respeito por
tudo e todos que nos cercam. Atingindo a sabedoria, que ‘somente’ é: conhecer
de forma equilibrada e ordenada, com amor e respeito, o que fazer para gerar no
outro aquilo que já foi gerado em si mesmo;
• Desencarnar: ao vivenciar tudo o que é necessário para o nosso
aprimoramento (alguns sequer precisam passar por todo o ciclo), desencarnamos e
voltamos ao plano espiritual, levando conosco nossas verdadeiras conquistas,
nossa escada com mais alguns sólidos degraus.
Reencarnar é uma forma de nossa consciência revisitar nossas
fases. Assim temos a oportunidade de, em poucos anos, passar por experiências
que poderiam levar séculos ou milênios no astral. A vida do encarnado ‘imita’
as fases da vida espiritual (nascer, crescer, amadurecer, etc.). Pois um dia
fomos gerados por nossos Pais e Mães Orixás Ancestrais, e evoluímos passando
pelos planos: fatoral, essencial, elemental, dual, encantado, até chegar aqui
no plano natural e no futuro atingir o celestial.
O quando chegaremos lá não é importante e vai depender de nossas
realizações. O senso comum costuma dizer que a idade faz a transição de fase.
Isto é um erro grave. Não é a quantidade de tempo que passamos em cada fase que
nos diz quando podemos ir para a próxima, mas a qualidade daquilo que
realizamos e aprendemos.
Durante a vida podemos nos traumatizar, nos amarrar em
determinada fase, impedindo o progresso natural para a próxima. O que demonstra
uma falha na construção de um degrau. Assim nas giras de Umbanda apresentam-se
entidades que trazem de forma potencializada, a consciência e a energia de cada
fase de nossa evolução. E se nos permitirmos interagir com estas entidades, os
laços que nos impedem de viver plenamente serão desatados. De acordo com nossos
merecimentos e nossas necessidades. Sem milagres.
Por exemplo: as crianças que se apresentam na Umbanda, são
espíritos Encantados (5º Plano da Vida), ou que no máximo, encarnaram duas
vezes, mas nunca atingiram o amadurecimento. Estes espíritos irradiam uma
energia muito pura, trazem a verdadeira ingenuidade, desagregam os negativismos
daqueles que ‘brincam’ com eles. Liberando centros energéticos nos corpos
físicos e espirituais, permitindo a evolução sustentada.
Tudo tem um real motivo. Ao seguir nossa Paz interior,
observando o que nos rodeia, compreendemos que nada é acaso. Valorizamos todos
os detalhes. Priorizamos a forma com que trilhamos o caminho, como construímos
nossa escada. Com prazer elevamos nossas conquistas e auxiliamos outros a
subirem, nos tornando verdadeiros instrumentos de Deus.
√ POR
ALEXANDRE N. GIMENEZ
http://umbandista.com.br/os-ciclos-e-a-evolucao-2/
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