Nenhuma notícia recente, causou tanta comoção entre os
seguidores dos cultos afros, como a decisão do juiz Eugenio Rosa de Araujo, da
17a Vara Federal do Rio de Janeiro.
O juiz decidiu não acatar denúncia do Ministério Público
Federal contra os programas de Rádio e TV que estimulam a perseguição
religiosa, alegando que a Umbanda e o Candomblé não são religiões.
E isso, apesar das provas insofismáveis de que tais vídeos dito
evangélicos no Youtube realmente são ofensivos às religiões afros,
onde pastores incitam seus seguidores a fecharem os terreiros de seus
bairros.
Onde errou o juiz na sua decisão? Vamos por
partes.
O cunho da ação não era para conceituar o que é ou não religião. A
ação pretendia tão somente, impedir a veiculação de vídeos que incitam a
discriminação religiosa e a violência contra os seguidores da Umbanda e do
Candomblé.
Foi isso que pretendeu o Ministério Público Federal em sua
atuação com fiscal da lei. Mais nada. Em nenhum momento desejamos que a Justiça
julgasse se a Umbanda e o Candomblé são religiões. Apenas pediu-se a proibição
da veiculação dos vídeos discriminatórios.
O juiz, que deveria se ater no julgamento à denúncia de discriminação, resolveu ultrapassar a questão a ser julgada. Pior do que isso: desviou-se da questão principal - a discriminação - e concentrou-se em análises antropológicas de cunho religioso, ignorando o foco principal: o vilipêndio religioso.
É óbvio que, para todos nós, que lutamos tanto contra a discriminação e a falta de respeito por parte de fanáticos religiosos das seitas eletrônicas, a decisão do juiz Eugenio Rosa de Araujo, da 17a Vara Federal do Rio causa espanto. É um desastre!
O juiz, que deveria se ater no julgamento à denúncia de discriminação, resolveu ultrapassar a questão a ser julgada. Pior do que isso: desviou-se da questão principal - a discriminação - e concentrou-se em análises antropológicas de cunho religioso, ignorando o foco principal: o vilipêndio religioso.
É óbvio que, para todos nós, que lutamos tanto contra a discriminação e a falta de respeito por parte de fanáticos religiosos das seitas eletrônicas, a decisão do juiz Eugenio Rosa de Araujo, da 17a Vara Federal do Rio causa espanto. É um desastre!
Primeiro, porque ao em vez de decidir sobre a questão lhe
foi apresentada (o vilipêndio religioso), o juiz optou por divagar sobre o que
seria religião.
Não levou em conta o que diz a nossa Constituição. Não levou
em conta também a legislação federal que estabelece como dever do Estado e da
sociedade garantir a igualdade, reconhecendo a todo cidadão
brasileiro, a defesa de sua dignidade e seus valores religiosos e
culturais (Lei 12.288/10)
E mais: não levou em conta a existência da Umbanda e do
Candomblé, como religiões impiedosamente perseguidas ao longo de décadas.
Nos últimos 30 anos, umbandistas e candomblecistas sofreram
- e sofrem - cruelmente, ofensas de igrejas eletrônicas, ditas evangélicas, que
utilizam os horários das concessões públicas de Rádio e TV, sob o beneplácito
da agencia reguladora do governo federal, a Anatel, que não faz cumprir a Lei
Geral das Comunicações, que proibe essa prática.
Como está salientado no recurso contra a decisão do juiz,
desconsiderou-se "por completo a noção de que as religiões de matrizes
africanas estão ancoradas nos princípios da oralidade, temporalidade,
senioridade, na ancestralidade, não necessitando de um texto básico para
defini-las".
Nos próximos dias, milhares de umbandistas e candomblecistas
estarão mobilizados contra essa decisão judicial, que poderia ser classificada
como equivocada, num país dito democrático, que se propõe a respeitar as
diversidades.
A reação pacífica dos umbandistas e candomblecistas chegarão
às ruas. Em todo país, irmãos de fé deverão se posicionar contra a absurda
decisão do Juizado da 17a Vara Federal do Rio de Janeiro.
Por outro lado, vivemos numa democracia. E será graças a
ela, que será questionada esta surpreendente decisão judicial.
O primeiro ato será na Associação Brasileira de Imprensa
nesta 4a feira às 17 horas, na Rua Araujo Porto Alegre, 71, no Centro do Rio de
Janeiro.
E temos certeza, de que outros atos de protesto serão
organizados no resto do país.
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