PAI JOÃO DE ARUANDA
O que é isso, meu irmão? Porque que falar da casa do outro quando a nossa casa está cheia de motivos para transformação? Pra que citar os insucessos espirituais alheios, quando nos falta muito para aprender, caminhar e acertar? Não perca tempo relatando ocorrências infelizes dos outros. E também, tanto quanto nós, se esforçam como podem para deter a miséria de muita gente e resgatar sua dignidade perdida. Mensageiros do bem, trabalhando em nome do Nosso Senhor em outra seara, com outros instrumentos, e se nós estivéssemos no lugar deles, talvez não saberíamos agir de outra forma. Eles, no lugar em que nos encontramos, servindo conforme a cartilha que seguimos, deixamos muito a desejar. Faltanos imensos caminhos a percorrer até que possamos ser considerados verdadeiros trabalhadores do nosso Pai. Pense nisso, meu filho, e aprendamos juntos a dominar a palavra que sai de nossa boca e a controlar os comentários infelizes em relação àqueles que foram chamados por Jesus para realizar tipo de tarefa que nós rejeitamos fazer. No final daquela reunião cujos comentários invocavam a intolerância religiosa, o paivelho assume o médium e fala, de forma a tocar os corações. Lá vem vovô descendo a ladeira com sua sacola. E com seu rosário e com seu patuá, ele vem de Angola. Eu quero ver, vovô, eu quero ver, eu quero ver se filho de Zambi tem querer.
Fonte: Livro Sabedoria de Um Preto Velho , Psicografado por Robson Pinheiro.
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